Vendo que Reinaldo permanecia calado e com o semblante carregado, mas sem fazer menção de ligar para o SAMU, o Dr. Sousa entendeu o que estava acontecendo.
Lembrando-se de como Eduardo sempre fora bom para ele, e pensando que, se não fizesse nada, estaria sendo cúmplice daquela omissão de socorro, ele tomou uma decisão. Ignorando Reinaldo e Simone, sacou o próprio celular para discar para a emergência.
— Rápido! Alô, SAMU? Aqui é da família Barreto...
Mal o Dr. Sousa começou a falar, os olhares de Reinaldo e Simone gelaram. Eles não esperavam que o Sr. Sousa, que sempre pareceu tão educado e submisso, ousasse desobedecer às ordens deles.
— Não deixem ele ligar! — Gritou Reinaldo.
— Peguem o celular dele! — Completou Simone.
Já que o que estava feito estava feito, não havia como voltar atrás.
O tempo ideal de resgate já havia passado, e eles não podiam permitir que Eduardo fosse para o hospital de jeito nenhum.
Reinaldo calculava tudo rapidamente em sua mente enquanto gritava para os seguranças do lado de fora.
Os dois guarda-costas que vigiavam a porta entraram imediatamente. Um deles, com movimentos rápidos, arrancou o telefone da mão do Dr. Sousa, enquanto o outro bloqueou a passagem entre o médico e a porta.
O olhar de Reinaldo para Eduardo carregava uma crueldade de quem não tem mais nada a perder, misturada com um traço de complexidade.
Se as coisas chegaram a esse ponto, a culpa não era totalmente dele. A culpa era de Eduardo, que favorecia demais a Heloisa. Mesmo com Jocelino morto, o velho não sossegava e se recusava a entregar a família Barreto para ele.
Reinaldo tentava se justificar em seus pensamentos.
O Dr. Sousa, imobilizado pelos seguranças, olhava para Reinaldo incrédulo. Não podia imaginar que ele, como filho de Eduardo, pudesse ser tão cruel!
Suas palavras eram como facas afiadas no gelo, sem piedade:
— O Eduardo teve um mal súbito. Nós, como filhos, estamos mais preocupados do que ninguém e estamos fazendo tudo para salvá-lo. Faça o seu trabalho, use os melhores remédios para estabilizar o quadro dele, e quanto ao resto... não se meta onde não é chamado!
Ela lançou um olhar para Eduardo, cuja respiração estava fraca na cama, e seu tom assumiu uma ameaça sutil:
— Eu me lembro que sua filha acabou de entrar na faculdade este ano, não é? Ouvi dizer que ela foi estudar no exterior.
— Dr. Sousa, o status que você tem hoje foi dado pela nossa família Barreto. Agora, com o falecimento de Jocelino e a doença grave de Eduardo, se você quiser manter sua carreira, é melhor nos obedecer direitinho. Quanto às outras coisas... não se envolva no que não deve. Senão... cuidado para não atrair problemas para si mesmo e acabar trazendo problemas para sua família também.
— Vocês... vocês são completamente insanos! — O Dr. Sousa tremia de ódio ao ver Simone usar sua filha para ameaçá-lo.

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