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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1008

O coração de Aeliana batia descompassado no peito, mas no instante em que a palma da mão de Jocelino a tocou, uma estranha sensação de segurança se instalou nela.

Imediatamente, Aeliana reagiu. Antes que ele recolhesse a mão, ela segurou os dedos gelados de Jocelino e apertou com força, sinalizando que estava bem.

As mãos dos dois permaneceram firmemente entrelaçadas na escuridão.

Pareceu que um século havia se passado quando o tremor violento finalmente diminuiu. O mundo retornou a um silêncio quase mórbido, onde apenas a poeira suspensa e o cheiro acre de pólvora provavam o desastre recente.

Na escuridão, ouviram-se primeiro algumas tosses abafadas e respirações pesadas de quem acabara de escapar da morte.

Aeliana foi a primeira a levantar a cabeça sob a proteção de Jocelino. Sem se importar em limpar a poeira do corpo, perguntou com a voz rouca e urgente:

— Sr. Wallace? Como o senhor está? Se machucou?

E continuou:

— Estão todos bem?

— Estou bem...

A maior parte do impacto foi absorvida por Jocelino e os outros que seguravam a porta. Wallace, protegido atrás de todos, não sofreu grandes danos. No entanto, após todo esse tumulto, sua energia havia se esgotado e ele parecia muito mais fraco.

— Eu estou bem.

— Eu também.

Em seguida, Diego e Décio também se manifestaram, e logo todos confirmaram que estavam salvos.

Ainda em choque, todos sentiam o alívio de terem sobrevivido.

A sequela daquela explosão era óbvia. Mesmo com o fim dos tremores, todos pareciam atordoados, como se não pudessem acreditar que realmente tinham saído vivos de algo tão grandioso.

Ao ouvir as vozes de todos, Aeliana soltou metade do ar que prendia nos pulmões e virou-se para Jocelino, que ainda estava encostado na porta.

Mesmo na escuridão, a sensibilidade aguçada de Aeliana detectou imediatamente algo errado com ele.

O coração de Aeliana afundou, como se uma mão gelada o tivesse apertado. Ela falou mais rápido:

— Você está ferido! Não se mexa, deixe-me ver!

Aproveitando a fraca luz natural que entrava pelas frestas, Aeliana viu no braço esquerdo de Jocelino, na parte externa superior, um pedaço de madeira pontiagudo e quebrado, vindo de sabe-se lá onde.

A madeira afiada havia perfurado o tecido do casaco e se enterrado profundamente no músculo. A roupa ao redor da ferida já estava encharcada pelo sangue que não parava de sair.

— Aeliana, parece feio, mas não é nada grave, não fique nervosa. — Disse Jocelino em voz baixa. Gotas de suor frio escorriam por sua têmpora devido à dor, mas mesmo assim, ele se preocupava em acalmá-la.

— Cale a boca. Está ferido desse jeito, não soltou um pio e ainda queria esconder de mim?

Ela completou, brava:

— Depois eu acerto as contas com você.

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