Aeliana o interrompeu imediatamente, com um tom autoritário que não aceitava objeções. Ao mesmo tempo, rasgou com um som seco o forro da bainha de sua camisa para fazer um curativo em Jocelino.
— Relaxe um pouco, não fique tenso. Vou fazer compressão para estancar o sangue. Vai doer, aguente firme.
Os movimentos de Aeliana eram rápidos e precisos. Ela usou a tira de tecido para amarrar com força acima do ferimento.
Jocelino não disse mais nada, deixando-a cuidar dele.
Ele parecia estar bem, mas a linha tensa de seu maxilar denunciava que não estava tão tranquilo quanto aparentava. Ele olhou para o rosto de Aeliana, que estava a centímetros do dele, sujo de poeira e parecendo muito mais abatida do que o normal, mas extremamente focada. Um sorriso muito sutil passou pelo rosto dele.
Sua voz soou baixa, quase um sussurro:
— Aeliana, não fique brava, eu estou bem mesmo... A situação era crítica, era inevitável sofrer algum arranhão, mas... todos estão vivos... isso é o que importa.
As palavras de Jocelino pareciam consolar tanto a ela quanto a ele mesmo.
Aeliana não parou o que estava fazendo e respondeu sem levantar a cabeça:
— Sim, o Sr. Barreto é heroico e decisivo. Mas, por favor, da próxima vez que quiser bancar o herói na linha de frente, garanta que não vai se machucar. Você tem ideia de como isso me deixa preocupada?
Talvez pela angústia e preocupação, a voz de Aeliana tremia levemente com o medo residual de quem acabara de escapar da morte.
Nesta viagem à fronteira, Jocelino sempre tomava a frente em tudo e sofrera vários ferimentos. Em comparação, ela, que havia proposto o plano, estava muito mais ilesa.
Por isso, Aeliana sentia-se inevitavelmente culpada.
Embora suas palavras fossem duras, seus movimentos ao enfaixar eram subconscientemente extremamente delicados, com medo de machucá-lo.
E concluiu:
— Esse pequeno ferimento não é nada, já estou acostumado. Estou bem.
Quanto mais Jocelino minimizava a situação, mais o coração de Aeliana doía por ele.
Aeliana sentiu um amargor no peito e seus movimentos tornaram-se ainda mais suaves.
— Sr. Barreto, o senhor está ferido? — Décio aproximou-se com uma expressão aflita. Seus ouvidos ainda zumbiam pela explosão, fazendo-o falar mais alto sem perceber. — Isso entrou muito fundo! É grave?
Décio olhava para o ferimento horrível, e sua expressão de dor parecia maior do que a do próprio ferido.

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