— Quando todos pensarem que a vitória está garantida e saírem das sombras, vai ser a hora de fechar o cerco. O que eu quero é pegar todos de uma vez, arrancá-los pela raiz, para nunca mais ter problemas futuros.
Heloisa olhava atônita para o perfil anguloso do filho, onde a luz desenhava contornos de claro e escuro.
Naquele momento, Heloisa sentiu como se estivesse conhecendo verdadeiramente o Jocelino à sua frente pela primeira vez. Ele já não parecia aquela criança que precisava de sua proteção cuidadosa sob as asas.
O coração de Heloisa foi invadido por um misto de sentimentos; orgulho pelo crescimento do filho, mas também dor por vê-lo obrigado a carregar um fardo tão pesado tão cedo. Ela se lembrou de quando Jocelino era pequeno e chorava procurando pela mãe ao cair. Sem que ela percebesse, ele tinha virado o apoio dela, alguém em quem ela podia confiar.
Somente alguém assim era digno de ser o verdadeiro timoneiro da família Barreto.
O Grupo Barreto não precisava de alguém míope, que só visse os lucros imediatos, mas sim de um líder capaz de planejar com calma em meio a ondas turbulentas e tomar decisões decisivas.
Heloisa permaneceu em silêncio por um longo tempo, enquanto a agitação em seu peito se acalmava gradualmente.
Ao longo dos anos, ela criou Jocelino sozinha e o tornou um homem excelente; Heloisa não era alguém de raciocínio lento.
Ela refletiu em segredo, sabendo que Jocelino tinha seus motivos para agir assim. O que ela podia fazer era não atrapalhar.
Depois dessa série recente de golpes, Heloisa também havia mudado sua perspectiva: contanto que Jocelino estivesse seguro, ele poderia fazer o que quisesse.
— Tudo bem, vou te escutar. Faremos como você disser.
Ela não interferiria nos arranjos de Jocelino, mas precisava deixar claro uma questão de princípio.
Heloisa segurou firmemente a mão não ferida do filho, com o olhar transbordando medo residual.
— Desta vez foi um descuido meu, mas da próxima, eu definitivamente não darei a menor chance para aqueles que se escondem nas sombras.
Sentindo a insegurança da mãe, Jocelino atribuiu mentalmente todo aquele ódio ao misterioso mandante e a Reinaldo. Jurou para si mesmo que pegaria aquele grupo de uma só vez, para compensar todo o sofrimento que Heloisa e Eduardo haviam passado.
Nesse momento, as pálpebras de Eduardo tremeram algumas vezes, como se ele lutasse para levantar um peso de mil quilos, e se abriram lentamente.
O teto familiar da cama de madeira nobre entalhada entrou em seu campo de visão ligeiramente turvo. Eduardo piscou, confuso, com a consciência ainda presa no momento antes de desmaiar.
A imagem do rosto de Reinaldo, distorcido e hediondo pela ganância, parecia ainda estar diante de seus olhos. Eduardo, por um instante, não conseguia distinguir onde estava.
— Onde... onde eu estou?

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