Sua voz saiu rouca e falha. Ele tentou se erguer apoiando-se nos braços, mas, tendo acabado de despertar de um coma, onde seu corpo encontraria forças? Seus braços cederam, e Eduardo caiu novamente no sofá.
— Vovô!
— Você acordou?
Uma voz familiar soou ao ouvido de Eduardo. Ao ouvi-la, sua expressão congelou e seu coração disparou, batendo descontrolado de nervosismo.
Eduardo virou a cabeça, incrédulo.
Sua visão estava turva; ele piscou com força até finalmente conseguir distinguir as duas pessoas paradas lado a lado diante de seu leito.
Eram justamente seu neto Jocelino e sua futura neta Aeliana, que ele pensava estarem mortos!
Não fazia tanto tempo que não se viam, mas Jocelino e Aeliana pareciam muito mais abatidos, magros e bronzeados, com os rostos marcados pelo cansaço daquela jornada turbulenta.
No entanto, embora parecessem maltratados, estavam ali, reais e vivos, bem na sua frente!
— Vo... vocês...
As pupilas de Eduardo se contraíram bruscamente, sua respiração acelerou e seus dedos magros e trêmulos apontaram para eles, sem conseguir falar.
Depois de um longo tempo, Eduardo pareceu se dar conta de algo, e sua expressão mudou drasticamente.
Lembrando-se da dor da traição e do luto que suportara naqueles dias, ver agora seu neto vivo parecia algo de outro mundo.
Por um momento, ele não soube distinguir se aquilo era realidade ou uma alucinação pré-morte. O choque tremendo quase o sufocou.
Ele olhou para os dois com profunda dor e disse, trêmulo:
— Como... como posso ver vocês...
— Isso não é uma alucinação, é?
— Olhe em volta, esta é a mansão antiga.
Jocelino olhava para a fragilidade do avô com o coração cheio de culpa.
A palma da mão transmitia a temperatura e a textura familiares e reais da mão do neto; aquele aperto forte não podia ser falso.
Os velhos olhos turvos de Eduardo focaram aos poucos, varrendo a decoração familiar do quarto.
Ele agarrou a mão de Jocelino com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, como se, ao soltar, a pessoa à sua frente desaparecesse. Então, estendeu a outra mão trêmula e tocou cuidadosamente o rosto de Aeliana. O calor e a elasticidade daquela pele jovem fizeram seu corpo estremecer violentamente.
— É verdade... é verdade, estão vivos... não é sonho, nem alma penada...
Ele murmurou, como se confirmasse um fato inacreditável.
O medo, a preocupação, a mágoa e o pavor acumulados durante todo aquele tempo romperam como uma represa, transformando-se em lágrimas quentes que jorraram de seus olhos enrugados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias