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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1021

Sua voz saiu rouca e falha. Ele tentou se erguer apoiando-se nos braços, mas, tendo acabado de despertar de um coma, onde seu corpo encontraria forças? Seus braços cederam, e Eduardo caiu novamente no sofá.

— Vovô!

— Você acordou?

Uma voz familiar soou ao ouvido de Eduardo. Ao ouvi-la, sua expressão congelou e seu coração disparou, batendo descontrolado de nervosismo.

Eduardo virou a cabeça, incrédulo.

Sua visão estava turva; ele piscou com força até finalmente conseguir distinguir as duas pessoas paradas lado a lado diante de seu leito.

Eram justamente seu neto Jocelino e sua futura neta Aeliana, que ele pensava estarem mortos!

Não fazia tanto tempo que não se viam, mas Jocelino e Aeliana pareciam muito mais abatidos, magros e bronzeados, com os rostos marcados pelo cansaço daquela jornada turbulenta.

No entanto, embora parecessem maltratados, estavam ali, reais e vivos, bem na sua frente!

— Vo... vocês...

As pupilas de Eduardo se contraíram bruscamente, sua respiração acelerou e seus dedos magros e trêmulos apontaram para eles, sem conseguir falar.

Depois de um longo tempo, Eduardo pareceu se dar conta de algo, e sua expressão mudou drasticamente.

Lembrando-se da dor da traição e do luto que suportara naqueles dias, ver agora seu neto vivo parecia algo de outro mundo.

Por um momento, ele não soube distinguir se aquilo era realidade ou uma alucinação pré-morte. O choque tremendo quase o sufocou.

Ele olhou para os dois com profunda dor e disse, trêmulo:

— Como... como posso ver vocês...

— Isso não é uma alucinação, é?

— Olhe em volta, esta é a mansão antiga.

Jocelino olhava para a fragilidade do avô com o coração cheio de culpa.

A palma da mão transmitia a temperatura e a textura familiares e reais da mão do neto; aquele aperto forte não podia ser falso.

Os velhos olhos turvos de Eduardo focaram aos poucos, varrendo a decoração familiar do quarto.

Ele agarrou a mão de Jocelino com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, como se, ao soltar, a pessoa à sua frente desaparecesse. Então, estendeu a outra mão trêmula e tocou cuidadosamente o rosto de Aeliana. O calor e a elasticidade daquela pele jovem fizeram seu corpo estremecer violentamente.

— É verdade... é verdade, estão vivos... não é sonho, nem alma penada...

Ele murmurou, como se confirmasse um fato inacreditável.

O medo, a preocupação, a mágoa e o pavor acumulados durante todo aquele tempo romperam como uma represa, transformando-se em lágrimas quentes que jorraram de seus olhos enrugados.

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