— Eu acabei de fazer um exame preliminar no Sr. Wallace. Como ele acabou de ingerir o remédio, ainda não dá para ver sequelas ou reações adversas. Só podemos esperar e observar durante a noite.
Tomara que esta noite não traga nenhuma outra surpresa desagradável.
Aeliana levantou a mão e massageou as têmporas. As olheiras escuras revelavam o cansaço acumulado de vários dias.
Jocelino também notou que as sombras sob os olhos dela estavam mais profundas e sentiu um aperto no peito, consolando Aeliana:
— Não se preocupe, nada vai acontecer com o Sr. Wallace.
— Naquele momento, o homem misterioso estava tão certo de que morreríamos na explosão que talvez tenha deixado o antídoto verdadeiro.
— Dizem que até o caçador mais experiente pode ser pego de surpresa. Aquele homem misterioso não pode prever tudo com exatidão.
Após o consolo de Jocelino, o coração de Aeliana relaxou bastante.
Ela encostou a testa levemente no ombro dele, com a voz abafada e ainda anasalada.
— Eu sei... mas ver o Sr. Wallace com aquela determinação tão absoluta me deixou angustiada...
Os dedos dela torciam inconscientemente a barra da camisa dele, revelando a confusão em seu interior.
Jocelino podia sentir claramente o leve tremor do corpo dela, como um pequeno animal assustado buscando refúgio.
Ele acariciou as costas dela suavemente com a palma quente da mão, num ritmo constante e tranquilizador.
— Eu entendo como você se sente. — Disse ele com a voz grave. — Mas você conhece o temperamento do Sr. Wallace. Quando ele decide algo, ninguém consegue fazê-lo mudar de ideia.
Aeliana enterrou o rosto no ombro dele, murmurando:
— Eu só tenho medo... medo de que ele esteja se forçando por minha causa.
— Como seria se forçar?
Jocelino afastou-se um pouco, baixou a cabeça para olhar nos olhos avermelhados dela e falou com seriedade:
— Vamos vigiá-lo juntos, está bem?
Aeliana respirou fundo e assentiu. Seus pensamentos caóticos pareciam ter encontrado um porto seguro. Seu olhar caiu inadvertidamente sobre o antebraço dele, onde a manga estava arregaçada; a gaze era particularmente visível. Ela estendeu a mão e tocou a borda do curativo com a ponta dos dedos, cuidadosamente.
— Hoje só falei do Sr. Wallace e esqueci que você ainda está ferido.
— Como está isso aqui? — Ela levantou a cabeça, franzindo a testa involuntariamente. — Ainda dói muito?
Jocelino moveu o braço, fingindo tranquilidade:
— É um ferimento pequeno, já não incomoda mais.
— Bobagem. — Aeliana não acreditou, pressionando levemente a pele ao lado da gaze. — Como pontos podem sarar tão rápido? A ferida já estava quase boa, mas quem diria que se abriria novamente.
— É sério, estou bem. — Ele segurou os dedos inquietos dela, envolvendo-os na palma da mão. — Você, hein? Cuide primeiro do Sr. Wallace e pare de se preocupar com meus arranhões.
— Como eu poderia não me preocupar... — Aeliana resmungou baixinho, apertando a mão dele em resposta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias