Aeliana tocou levemente a lateral do próprio rosto, exemplificando:
— Mas aquela coisa só servia para situações à distância ou com pouca luz. Se alguém chegasse um pouco mais perto e observasse com atenção, dava para ver que a textura da pele não era natural e as expressões ficavam rígidas. Era apenas "parecido" na forma.
Ela ergueu os olhos para Jocelino, com um olhar límpido e analítico:
— Alguém capaz de possuir e usar essa tecnologia com tanta habilidade não pode ser um concorrente comercial comum ou uma gangue qualquer. Mas, pensando pelo lado positivo, isso não é uma grande brecha?
— Exatamente!
Jocelino pegou a captura de tela do monitoramento, com um olhar tão afiado que parecia querer perfurar a foto e ver a pessoa real por trás dela:
— Não importa quantas máscaras o homem misterioso use, se é humano ou fantasma; enquanto ele tiver um objetivo e estiver ativo, ele certamente agirá novamente e deixará novos rastros.
Ele olhou para Aeliana, e a troca de olhares revelou um entendimento tácito que dispensava palavras.
— Amália pode ser nossa única e mais importante brecha agora.
— Já que aquele homem se arriscou a procurá-la ativamente, isso significa que ela tem algo que ele precisa, ou que ela sabe de alguma informação chave que nós desconhecemos.
— Tenho um forte pressentimento de que, se o homem misterioso se esforçou tanto para ver Amália, e pela atitude dele, ele não vai desistir dela tão facilmente.
— Ele certamente aparecerá de novo. E nós precisamos agarrar o rabo dele antes da próxima ação.
...
A noite avançava e a mansão dos Costa estava totalmente iluminada, mas pairava no ar uma atmosfera de ansiedade e opressão. O Sr. Costa não voltava para casa há dias, e os empregados, sempre bem informados, já cochichavam pelos cantos.
— Lívia, você não achou que... o Cleiton parecia meio estranho hoje?
Lívia levantou a cabeça, ajeitou os óculos de leitura e olhou para as costas do "mordomo" desaparecendo na curva da escada:
— Um pouco... Geralmente, quando o Cleiton volta, ele sempre pergunta se há notícias do patrão ou nos dá algumas instruções.
— Por que ele falou tão pouco hoje? E além disso... essa postura ao andar, parece mais ereta do que o normal, não acha?
— É verdade, né? — Concordou Selina. — E a voz estava rouca, será que ele pegou um resfriado?
As duas apenas comentaram brevemente e voltaram ao trabalho. Em mansões ricas como aquela, a regra de ouro era não ver demais e não perguntar demais. Elas presumiram que o mordomo estava apenas preocupado com os problemas dos patrões e não pensaram mais no assunto.
O "mordomo" subiu direto para o segundo andar e parou em frente à porta do quarto de Amália. Ele fez uma pausa, ajeitou a gravata borboleta inexistente e, num instante, seu olhar tornou-se afiado e profundo, completamente diferente de quando estava no andar de baixo. Ele levantou a mão e bateu na porta.

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