Felipe ignorava tudo ao seu redor, com a mente totalmente imersa no sucesso futuro.
Ele empurrou suavemente o êmbolo, observando o líquido ser injetado pouco a pouco na veia do irmão, e em seu rosto surgiu até mesmo uma expressão de satisfação e expectativa.
Felipe terminou a injeção, mas não foi embora imediatamente.
Ele encostou-se na velha mesa ao lado, com as mãos nos bolsos, olhando com indiferença para Henrique na cama.
O efeito do remédio começou a se manifestar. Henrique começou a se contorcer desconfortavelmente, emitindo gemidos abafados da garganta, como se estivesse preso em um pesadelo. Suor frio brotava em sua testa, e suas sobrancelhas estavam franzidas com força.
Felipe observava o sofrimento do irmão sem qualquer expressão no rosto; não sentia tristeza, nem tampouco excitação. Estendeu a mão para verificar a testa de Henrique e, em seguida, tocou sua artéria carótida.
— A frequência cardíaca está um pouco acelerada... mas a temperatura corporal ainda está estável.
Ele murmurou para si mesmo:
— Parece que o ajuste da dose desta vez foi razoável, a reação está melhor do que na última vez.
Depois de um tempo, a agitação de Henrique diminuiu lentamente, e sua respiração tornou-se leve e superficial, como se estivesse exausto e tivesse caído em sono profundo.
Só então Felipe se endireitou, jogando o algodão usado na lixeira. Deu uma última olhada no irmão, confirmando que não haveria problemas por enquanto, e virou-se para a porta.
— Durma. Voltarei para vê-lo amanhã.
Ele apagou a luz e fechou a porta.
Com um leve clique, o porão mergulhou novamente na escuridão e no silêncio, onde apenas o cheiro de desinfetante e gemidos de dor quase imperceptíveis se entrelaçavam.
Felipe subiu as escadas sem parar, planejando o plantão de amanhã e organizando mentalmente os dados do experimento, como se o que acabara de fazer fosse apenas uma tarefa diária e comum.
A porta do porão foi trancada.
O silêncio mortal retornou ao subsolo.
Devido ao tempo em que esteve preso, com Felipe constantemente lhe administrando drogas, o corpo de Henrique estava extremamente fraco. Cada passo que dava era acompanhado de tontura.
Uma fresta de luz vinda da porta entreaberta tornou-se seu único objetivo. Ele não sabia por quanto tempo rastejou, mas finalmente estendeu a mão trêmula, agarrou o batente da porta e arrastou-se penosamente para fora daquele quarto infernal.
Do lado de fora, havia a escada que levava ao andar térreo.
Para ele, em seu estado debilitado, aquilo parecia um abismo intransponível. Ele praticamente rolou e rastejou escada acima, empurrando a porta que dava para a sala de estar.
Um vento cortante invadiu o ambiente instantaneamente, trazendo consigo grandes flocos de neve.
Lá fora, tudo estava branco, e a neve acumulada era profunda.
Henrique vestia apenas uma roupa fina de hospital e tremia de frio.
Ele não tinha ideia de onde estava, nem para onde deveria ir, mas o instinto de sobrevivência o impulsionou a correr cambaleante para a tempestade de neve, movendo-se com dificuldade em direção a qualquer luz que pudesse ver.

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