Ele não foi muito longe antes que suas forças se esgotassem completamente.
Os flocos de neve gelados caíam sobre sua testa e pescoço febris, provocando calafrios.
Ele sentiu sua visão ficar cada vez mais turva e seus passos cada vez mais incertos. Finalmente, suas pernas cederam, sua visão escureceu e ele perdeu a consciência completamente, caindo pesadamente na calçada coberta de neve, levantando uma nuvem de pó branco.
Alguns minutos depois, um jovem casal que voltava do trabalho passou pelo local e descobriu Henrique caído, quase soterrado pela neve.
— Ah! Tem alguém desmaiado aqui!
— De quem será... Por que ele está vestido com tão pouca roupa caído na neve?
A garota gritou assustada e correu em direção a ele.
O rapaz também se aproximou rapidamente, verificando a respiração. Percebeu que ele ainda respirava, mas seu corpo estava ardendo em febre, o rosto anormalmente vermelho e a respiração fraca.
— Rápido! Ligue para o SAMU! Chame uma ambulância!
O rapaz gritou para a garota enquanto tirava o próprio casaco para cobrir Henrique, olhando ao redor em busca de ajuda.
Logo, o som estridente da sirene da ambulância aproximou-se.
Os paramédicos colocaram Henrique rapidamente na maca e o levaram para a ambulância, encaminhando-o com urgência para o Hospital Saúde Viva mais próximo.
Rodrigo acabara de encerrar uma ligação com um headhunter. A vaga oferecida, mais uma vez, era insatisfatória. Ele afrouxou a gravata, irritado.
A família Oliveira estava falida há muito tempo, e vendo as economias se esgotarem sem conseguir encontrar um emprego, Rodrigo estava irritado ao extremo.
O telefone tocou novamente.
— Alô, quem fala?
Ele atendeu, com o tom de voz ainda carregando o cansaço de lidar com ligações de emprego.
Do outro lado da linha, uma voz masculina ansiosa respondeu:
Ao empurrar a porta da sala de emergência, um cheiro forte de desinfetante misturado com um odor indescritível de putrefação o atingiu.
A cena diante de seus olhos fez Rodrigo paralisar, como se seu sangue tivesse congelado.
Na cama, Henrique estava tão magro que perdera a forma humana, encolhido como um esqueleto coberto apenas por pele. Sua face tinha um tom amarelado cadavérico, os lábios estavam secos e arroxeados, e a respiração era tão fraca que quase não se percebia.
O mais chocante eram as manchas roxas e negras espalhadas por sua pele exposta, além de feridas ulceradas que vazavam pus; em alguns lugares, era possível ver a carne viva.
Aquele ainda era o seu irmão, de quem ele se lembrava como arrogante e cheio de vida?
O estado de Henrique deixava claro que ele havia sofrido torturas cruéis.
— Henrique...!
Rodrigo correu até a beira da cama, olhando para o estado miserável do irmão com incredulidade.
— Como isso aconteceu?

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