— Felipe não disse... não disse que Henrique estava sob acompanhamento médico e que o quadro era estável?
— O que diabos está acontecendo aqui?
O chefe da emergência aproximou-se com uma expressão grave:
— Sr. Oliveira, por favor, acalme-se. Acabamos de realizar exames de emergência e uma triagem rápida no paciente...
Ele fez uma pausa, olhando para Rodrigo com simpatia:
— Os exames sugerem HIV em fase avançada, com complicações muito graves. Encontramos no sangue sinais de uso de medicações fora de protocolo, em doses muito altas, que podem ter acelerado a piora.
— HIV?
— Estágio avançado?
Rodrigo levantou a cabeça bruscamente, com os olhos cheios de descrença.
— Isso é impossível!
— Ele foi diagnosticado há menos de seis meses! Como a doença pode ter piorado tão rápido?
— Será que houve algum erro no exame?
Desde a última vez que Rodrigo teve notícias de Henrique, não havia passado tanto tempo assim. Mesmo o HIV não deveria se agravar com tamanha velocidade.
— Sr. Oliveira, entendemos perfeitamente como se sente. Mas os dados dos exames do seu irmão confirmam que ele já está no estágio terminal da doença. Quanto ao motivo da piora súbita...
— Pelos resultados dos exames de sangue, descobrimos que ele possui diversos componentes de medicamentos irregulares, e até possivelmente proibidos, em seu organismo, incluindo doses massivas de hormônios e antibióticos.
— Esses medicamentos não apenas não têm efeito terapêutico, como destroem freneticamente o sistema imunológico já fragilizado do hospedeiro. É como... jogar gasolina no fogo, fazendo com que o vírus saia de controle em pouco tempo. É por isso que o quadro do seu irmão se deteriorou tão rapidamente.
— Medicamentos proibidos... destruir o sistema imunológico...
Rodrigo repetiu as palavras num murmúrio, e seu rosto ficou lívido.
— Sr. Oliveira, sinto muito... Nós fizemos o nosso melhor.
— Mas o corpo do seu irmão já foi completamente exaurido. A falência dos órgãos está ocorrendo muito rápido. Agora... qualquer tratamento é inútil. O que podemos fazer no momento é apenas oferecer tratamento de suporte para aliviar a dor dele, para que... seus últimos momentos sejam um pouco mais tranquilos.
Ao ouvir isso, o corpo de Rodrigo balançou violentamente, e ele teve que apoiar a mão na parede para não cair.
— Como pode...
— Como isso é possível... Henrique ele... ele, não importa o que tenha feito, ainda é nosso irmão caçula...
— Henrique tinha um temperamento difícil desde pequeno, mas nunca fez nada contra o Felipe!
— Como o Felipe pôde... como ele teve coragem de fazer isso?
Fora da sala de reanimação.
Rodrigo olhava através do vidro para o irmão Henrique, deitado na cama cheio de tubos, com sinais vitais mantidos apenas por aparelhos. Seu coração parecia estar sendo cortado por uma faca.

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