— O Henrique é irmão do Felipe, como ele poderia fazer mal ao Henrique?
— Rodrigo, você com certeza está mentindo para nós. Você tem alguma prova?
— Eu mentindo?
Rodrigo soltou um riso frio e tirou o celular do bolso.
— Ótimo, vocês querem provas, não é? Agora, liguem vocês mesmos para o Felipe agora e perguntem a ele se o que eu disse é verdade ou não!
Essa frase despertou Daniela.
Como se agarrasse a última palha de esperança ilusória, ela tirou o próprio celular de forma desajeitada. Seus dedos tremiam tanto que ela mal conseguia segurá-lo. Com dificuldade, encontrou o nome "Felipe" na lista de contatos, pressionou com força e, instintivamente, ativou o viva-voz.
O telefone chamou, o som monótono de espera ecoava na sala silenciosa, cada toque batendo no coração das pessoas.
Primeira vez, ninguém atendeu.
Daniela desligou e ligou novamente de imediato.
Na segunda vez, após a longa espera, veio a fria mensagem do sistema: "O número discado não atende no momento..."
Suor brotou em sua testa. Ela não desistiu e discou pela terceira vez. Desta vez, após chamar algumas vezes, a mensagem mudou: "O número discado está desligado ou fora da área de cobertura..."
— Viram?
A voz de Rodrigo saiu fria e cortante.
— Ele não tem coragem de atender. Porque ele tem culpa no cartório. Porque ele não consegue encarar vocês, e muito menos explicar como usou suas 'brilhantes' habilidades médicas para transformar o próprio irmão nisso que não parece nem gente nem bicho!
Na cadeira de rodas, o corpo de Gustavo começou a tremer violentamente. Seus olhos estavam tão arregalados que pareciam prestes a rasgar, fixos na esposa caída no chão. Então, virou-se bruscamente para o filho mais velho, que permanecia inexpressivo. Abriu a boca, e de sua garganta saíram sons de "hã... hã...", rápidos e difíceis como um fole velho. Parecia querer dizer algo, mas nenhuma palavra saía.
A condição de Gustavo já não permitia fortes emoções. Saber que seu segundo filho havia agido com tamanha crueldade contra o próprio irmão, usando-o como experimento, foi o golpe final que devastou o corpo já frágil de Gustavo.
Sua cabeça tombou para o lado e ele desmaiou, perdendo a consciência.
Rodrigo permaneceu onde estava, como uma estátua de gelo.
Ele olhou para a mãe aos seus pés, chorando em colapso e quase enlouquecida, e depois para o pai na cadeira de rodas, desmaiado e com o destino incerto. Ele não se adiantou para ajudar, nem ligou imediatamente para a ambulância. Apenas sentiu um cansaço sem precedentes, emanando da medula de seus ossos e se espalhando por todo o corpo.
A verdade, aquela verdade sangrenta e horrível, fora revelada por suas próprias mãos. O último véu que cobria a vergonha daquela família fora rasgado em pedaços, deixando apenas ruínas à vista.
Com Gustavo desmaiado e Daniela paralisada no chão, passaram-se alguns segundos. De repente, como se tivesse levado um choque elétrico, Daniela ergueu a cabeça e rastejou desesperadamente até Rodrigo, agarrando as pernas da calça dele com força.

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