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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1124

— Desligado...

— O Felipe desligou o celular!

— Rodrigo! Diga para mim, o Felipe... ele realmente fez mal ao Henrique?

Rodrigo baixou os olhos para a mãe, sem qualquer expressão no rosto, apenas fechou os olhos brevemente em exaustão.

— Agora você está disposta a acreditar em mim?

— Eu acredito! Eu acredito!

Daniela quase gritou, sacudindo com força a perna de Rodrigo.

— Eu errei! Eu não devia ter falado aquilo para você! Mas é o Felipe... como ele pôde...

Ela falava coisas desconexas; a enorme quantidade de informações deixara seu cérebro em caos. Mas, naquele momento, a segurança do filho caçula superava tudo.

Daniela levantou-se num ímpeto, segurando firmemente os braços de Rodrigo com as duas mãos, as unhas quase perfurando a carne dele, e perguntou com urgência:

— Não vamos falar disso agora! E o Henrique?

— Onde está o Henrique agora? Em qual hospital? Me leve lá rápido! Eu quero vê-lo imediatamente! Agora! Já!

Vendo Daniela à beira da loucura, Rodrigo respirou fundo, tentando fazê-la se acalmar um pouco.

— Mãe, acalme-se. O Henrique está na ala de isolamento de doenças infecciosas do hospital. Ele ainda está em coma. Se formos lá agora...

— Me acalmar?

— Como você quer que eu me acalme?!

Daniela o interrompeu aos gritos, as lágrimas jorrando.

— Meu filho está morrendo! Foi o próprio irmão que fez isso com ele! E você pede para eu me acalmar? Rodrigo! É o seu irmão! Me leve lá rápido!

Enquanto falava, ela tentava correr para a porta, esquecendo-se completamente de Gustavo desmaiado na cadeira de rodas.

Daniela segurava a barra da roupa com força, o corpo tremendo levemente, o olhar vazio fixo na paisagem que passava veloz pela janela, murmurando incessantemente para si mesma.

— Como isso pôde acontecer... como pôde ser o Felipe...

— O Henrique, coitado... quanta dor ele deve ter sentido...

— Porão... cobaia... como o Felipe teve coragem... ele é médico...

— A culpa é minha... tudo culpa minha... eu mimei demais eles... não percebi antes que havia algo errado...

Rodrigo segurava o volante com firmeza, sem dizer uma palavra, apenas lançando olhares ocasionais pelo retrovisor para a mãe, que parecia ter perdido a alma. Os cantos de sua boca formavam uma linha tensa.

Chegaram ao hospital.

Daniela e Rodrigo vestiram roupas de isolamento e, guiados pelo olhar complexo e ligeiramente compadecido da enfermeira, chegaram ao corredor da ala de isolamento no terceiro andar.

Assim que chegou à frente do quarto, Daniela praticamente se jogou contra a janela de vidro.

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