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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1125

Bastou um olhar para que ela ficasse paralisada, como se tivesse sido enfeitiçada.

Através da enorme janela de observação, Daniela viu seu filho caçula, Henrique. Aquele garoto que antes era ensolarado e bonito, que abraçava seu braço fazendo manha, agora parecia uma boneca de pano sem vida, deitado silenciosamente em uma cama cercada de aparelhos.

Em um curto período de tempo, ele havia emagrecido a ponto de ficar irreconhecível. As bochechas estavam profundamente encovadas. Nos braços e no pescoço expostos fora do cobertor, viam-se densas marcas de agulhas, novas e velhas, misturadas a lesões e feridas terríveis na pele; em alguns lugares, era possível ver a carne viva em tom vermelho-escuro.

A máscara de oxigênio cobria a maior parte de seu rosto. Apenas as curvas fracas que subiam e desciam no monitor cardíaco ao lado provavam que ainda restava nele um fio de vida.

Aquilo não parecia um tratamento médico... parecia claramente alguém que havia sofrido uma tortura brutal e conseguido escapar.

A respiração de Daniela parou subitamente. Seu coração parecia ter sido esmagado por uma mão invisível, doendo tanto que ela mal conseguia respirar.

Ela cobriu a boca para evitar um grito estridente, mas as lágrimas jorraram como uma represa rompida.

Antes de ver Henrique pessoalmente, Daniela talvez ainda nutrisse uma dúvida sobre as palavras de Rodrigo, meio acreditando, meio duvidando.

Mas aquela cena chocante e insuportável diante de seus olhos destruiu completamente os últimos três por cento de dúvida em seu coração.

O seu Henrique tinha sido realmente destruído...

Foi brutalmente devastado pelo outro filho dela, de uma maneira desumana, até chegar ao ponto de exaustão vital!

— Henrique?

Daniela chamou de forma tentativa e extremamente baixa, como se temesse que um som mais alto pudesse dispersar aquele fio de vida restante na cama.

A pessoa lá dentro não teve nenhuma reação; apenas os pontos de luz saltando fracamente no monitor provavam que ele ainda estava vivo.

Ao ver Henrique naquele estado inerte, uma mistura de dor avassaladora e ressentimento corrosivo colidiu violentamente no peito de Daniela.

— O Felipe... por que ele fez isso com o Henrique? Eles são irmãos! Que ódio, que rancor é esse para ele cometer uma atrocidade dessas?

— Ele ficou louco? Será que alguma coisa ruim possuiu ele, algum espírito maligno tomou conta da mente dele?

Daniela agarrou com força a barra da roupa de isolamento de Rodrigo, como se quisesse obter dele uma resposta que explicasse aquela tragédia inconcebível, mesmo que a resposta fosse igualmente cruel.

Rodrigo baixou os olhos para a mãe em colapso, depois olhou através do vidro para o irmão esquelético no quarto.

Ele abriu a boca, mas no fim, disse apenas com a voz rouca e sem forças:

— Eu não sei... Mãe, eu também... não sei.

Enquanto isso, no escritório do diretor do Hospital Saúde Viva, o aroma do café pairava no ar.

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