Aeliana sentiu o corpo amolecer com o toque dele. Mista de vergonha e irritação, ela levantou metade do rosto enterrado no travesseiro e o encarou com um olhar de reprovação:
— Responsabilidade pelo quê? Nós já não somos noivos há muito tempo? Acontecer... acontecer esse tipo de coisa... não é apenas uma questão de tempo...
A voz dela foi diminuindo, e as últimas palavras foram quase sussurradas.
— Ah, é?
O sorriso nos olhos de Jocelino se aprofundou, revelando um brilho de malícia vitoriosa. Ele girou o corpo, pairando sobre ela, e deslizou a ponta dos dedos pelos cabelos espalhados no travesseiro, com um tom de voz carregado de ambiguidade.
— Isso significa que a Dra. Oliveira já estava ansiosa por isso? Então, que tal... nós "revisarmos" a matéria que não conseguimos terminar ontem à noite?
Ele fez menção de beijá-la.
— Pare com isso!
Aeliana estendeu a mão apressadamente para segurar o peito dele. Ao sentir a pele quente sob a palma, ela recolheu a mão como se tivesse se queimado, com o rosto vermelho como sangue.
— Agora não! Eu... eu tenho uma reunião online com o Sr. Gomes esta manhã! Vai começar daqui a pouco!
Jocelino interrompeu o movimento. Vendo que ela estava realmente ansiosa, decidiu não insistir. Ele riu baixinho, depositou um beijo leve na testa dela, deitou-se ao seu lado novamente e a abraçou. Seu tom de voz voltou ao normal, com um toque de lamento, mas carregado de consideração.
— Tudo bem, vou te liberar por enquanto. A reunião é importante.
Aeliana suspirou aliviada e sentiu o coração aquecido pela compreensão dele. Ela pensou por um momento e disse:
— Depois da reunião, vamos até mansão dos Barreto visitar o vovô? Faz tempo que não o vemos.
— Combinado. — Concordou Jocelino prontamente, enrolando uma mecha do cabelo dela nos dedos. — Faremos como você quiser.
— Jocelino! Você fez isso de propósito, não foi?
— Por que você ficou me olhando daquele jeito o tempo todo?
Jocelino largou a revista que mal tinha lido e ergueu as sobrancelhas com uma expressão inocente:
— Que jeito? Olhar para a minha própria noiva é crime agora?
Ele se levantou, caminhou calmamente até ela, inclinou-se e apoiou as mãos nos braços da cadeira dela, encurralando-a. O sorriso em seus olhos se tornou ainda mais profundo.
— Dra. Oliveira, quem está com a consciência pesada é você. Ficava querendo me espiar e por isso se distraiu. Como pode inverter as coisas e me culpar?
— Você... Você só fala bobagem!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias