Aeliana, sentindo-se exposta por ele ter acertado em cheio seus pensamentos, ficou com as bochechas ainda mais vermelhas. Ela tentou rebater, irritada, mas não encontrou palavras fortes o suficiente no momento.
Como esse homem podia ser tão descarado!
Vendo-a sem palavras e corada, o que era raro, Jocelino sentiu o humor melhorar e riu baixinho.
Aeliana, dividida entre a vergonha e a raiva, e sem conseguir vencê-lo no argumento, partiu para a ação física. Ela estendeu a mão e deu um beliscão, nem forte nem fraco, na cintura firme dele.
— Ai!
Jocelino inspirou fundo, fingindo dor, mas seu rosto estava todo sorridente. Ele aproveitou para segurar a mão "criminosa" dela, levando-a aos lábios para um beijo, com um olhar cheio de carinho.
— Não vou mais te provocar. Vá se arrumar, vamos visitar o vovô.
Quem é que estava provocando quem, afinal? E ainda invertia a culpa!
Aeliana puxou a mão de volta, lançou-lhe um olhar indignado com o rosto em chamas, virou-se e caminhou rapidamente para o banheiro, fechando a porta com um baque.
Ouvindo o som da água vindo do banheiro, Jocelino massageou a cintura, que na verdade não doía nada. Os cantos de sua boca se curvaram incontrolavelmente para cima, e ele acabou rindo alto.
Como Aeliana conseguia ser tão adorável até quando estava com vergonha ou tentando ser brava?
No banheiro, Aeliana jogou água fria nas bochechas que ainda queimavam. Olhando para o espelho, viu seus próprios olhos brilhando e não conseguiu evitar um sorriso tímido.
...
Na mansão da família Barreto, a luz do sol estava perfeita na sala de estar.
Eduardo estava de óculos de leitura, lendo o jornal, enquanto Heloisa Porto arranjava flores ao lado. Ao verem Jocelino e Aeliana entrarem um após o outro, ambos pararam o que estavam fazendo.
— Vovô, mãe.
Jocelino cumprimentou com a expressão habitual e pegou o casaco que Aeliana havia tirado para pendurá-lo.
— Vovô Eduardo, senhora, bom dia.
Aeliana também os cumprimentou.
— É que... é que fomos dormir tarde ontem e hoje acordei cedo para uma reunião. Meu cérebro ainda está meio lento, não acordei direito.
Enquanto falava, ela discretamente estendeu a mão e deu um beliscão nas costas de Jocelino, sinalizando para que ele falasse alguma coisa logo.
— Ai!
Jocelino respirou fundo com o beliscão, mas manteve o sorriso sereno no rosto. Aproveitou o movimento para abraçar os ombros de Aeliana, trazendo-a para mais perto de si, num gesto natural e carregado de uma intimidade sutil.
— Vovô, mãe, vocês estão imaginando coisas. Estamos ótimos. É que ontem à noite estivemos na casa do Sr. Wallace. A perna dele melhorou, ele já consegue dar alguns passos. Ficamos felizes e o acompanhamos num brinde para celebrar. Talvez o efeito do álcool ainda não tenha passado totalmente, por isso parecemos um pouco sem energia.
A explicação dele foi razoável e o tom, franco.
No entanto, Eduardo e Heloisa trocaram um olhar, e no rosto de ambos estava escrito "eu finjo que acredito".
Eduardo ergueu a xícara de café, tomou um gole vagaroso, parou o olhar na mão de Jocelino abraçando Aeliana por um segundo e depois olhou para o rosto corado dela, alongando a entonação:
— Ah... é mesmo?

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