— A perna do Wallace já permite caminhar? Isso é uma notícia maravilhosa! Merece mesmo uma celebração!
Heloisa pegou a tesoura novamente e continuou a podar os galhos das flores, respondendo como se fosse algo casual, mas com um olhar que denotava saber de tudo:
— É, realmente uma ótima notícia. Mas Jocelino, da próxima vez, por mais feliz que esteja, não deixe a Aeliana beber tanto. Veja como o rosto dela está vermelho, ainda não se recuperou.
Os dois mais velhos faziam um dueto perfeito, e o tom de provocação era óbvio demais.
Aeliana sentiu vontade de se enterrar num buraco e só pôde baixar a cabeça, fingindo alisar uma dobra inexistente na roupa.
Jocelino, por sua vez, não mudou a expressão. Apertou um pouco mais o abraço em Aeliana e concordou sorrindo:
— A senhora tem razão, vou tomar cuidado na próxima.
Eduardo, vendo o casal jovem — um envergonhado e o outro fingindo calma —, entendeu tudo perfeitamente e não conseguiu conter uma gargalhada. Ele parou de insistir e acenou com a mão.
— Está bem, está bem, parem de ficar aí parados. Venham sentar. Lívia, corte algumas frutas!
Embora não tivessem perguntado diretamente, a atmosfera na sala da velha mansão tornou-se excepcionalmente acolhedora e animada devido àquela corrente doce e inegável que fluía entre o jovem casal.
Eduardo e Heloisa sorriram um para o outro, cientes da situação.
Essas duas crianças... com certeza tem coisa aí!
Passado o momento de vergonha pelas provocações dos mais velhos, Aeliana logo ajustou a respiração e sua expressão voltou à calma habitual.
Ela caminhou até o sofá ao lado de Eduardo, sentou-se e olhou para ele com naturalidade, com um tom de preocupação genuína.
— Mas.
Ela pressionou levemente a ponta dos dedos, sentindo uma aspereza e um vazio quase imperceptíveis na pulsação.
— Comparado a antes de eu e Jocelino irmos para a fronteira a trabalho, sua vitalidade base sofreu um déficit. Vovô, aquela confusão causada pelo tio Reinaldo acabou prejudicando sua energia vital. Danos ao sistema cardiovascular não se recuperam de um dia para o outro. O senhor não pode ser descuidado.
Ela recolheu a mão e olhou nos olhos de Eduardo, recomendando com extrema seriedade:
— O remédio deve ser tomado rigorosamente, e os exercícios devem ser mantidos, mas a atividade física deve ser moderada. Nada de exageros. E, principalmente, mantenha a mente tranquila, não pode se estressar ou ter raiva. O corpo é seu, precisa ser recuperado aos poucos.
Eduardo, ouvindo aquele misto de diagnóstico e sermão, sentiu o coração aquecido, mas também uma certa resignação engraçada por estar sendo controlado por alguém mais jovem. Ele riu e deu um tapinha nas costas da mão de Aeliana.
— Tá bom, minha chefinha! Vou te ouvir, vou me cuidar direitinho. Ainda estou esperando para segurar meus bisnetos!

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