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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1148

Do filho mimado da família Oliveira a um brinquedo dependente da Sra. Rabelo e suas amigas, e agora a um prisioneiro moribundo e abandonado por todos...

Esta vida foi simplesmente uma piada absurda e lamentável.

Quando Rodrigo recebeu o telefonema do hospital dizendo que Henrique teve um momento de lucidez, ele quase invadiu o quarto.

Ele empurrou a porta da UTI e viu o irmão mais abatido do que nos dias anteriores, mas seus olhos estavam estranhamente límpidos, olhando fixamente para o teto, como se esperasse por algo.

— Henrique!

Rodrigo caminhou rapidamente até a cama, com a voz carregada de uma emoção reprimida.

— Você acordou? Como se sente?

Henrique virou a cabeça lentamente, focando o olhar no rosto do irmão, e esboçou um arco fraco que mal podia ser chamado de sorriso.

Ele abriu a boca, e sua voz era tão fraca que quase não se ouvia:

— Rodrigo... você veio...

— Sim, eu vim.

Rodrigo inclinou-se rapidamente, segurando a mão assustadoramente fria do irmão.

— Não fale, poupe energias. O médico disse que você...

— Rodrigo... eu não tenho tempo...

Henrique o interrompeu. Havia em seu olhar a calma de quem já viu tudo, mas também um profundo cansaço e arrependimento.

— Eu... eu tenho coisas para dizer, para te contar. Talvez se não disser agora... não terei outra chance...

O coração de Rodrigo afundou violentamente. Ele apertou a mão do irmão:

— Fale, estou ouvindo.

Henrique falava com ódio. Se não fosse pela Sra. Rabelo e as outras, talvez ele nunca tivesse acabado tão miserável.

Henrique começou a tossir violentamente, e Rodrigo correu para ajudá-lo a recuperar o fôlego.

— Rodrigo, eu me arrependo. Eu realmente me arrependo.

— Não devia ter sido tão arrogante, tão prepotente. Se não fosse pela minha arrogância, eu não teria chegado a essa situação. Estraguei tudo.

Rodrigo ouvia com o coração em pedaços. Ele segurou a mão do irmão com força, sem conseguir dizer nada por um momento.

— E a Aeliana...

Henrique olhou para ele, com o olhar cheio de culpa.

— Naquela época, nossa família inteira parecia ter tomado algum veneno. Era claramente erro da Amália, mas todos nós ignoramos o erro dela e quisemos que a Aeliana levasse a culpa.

— Eu não devia... ter tratado a Aeliana daquele jeito... ela antigamente... me tratava muito bem... fui eu que não tive juízo... não valorizei... e ainda... ainda me juntei aos pais para intimidá-la... eu não fui humano...

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