Do filho mimado da família Oliveira a um brinquedo dependente da Sra. Rabelo e suas amigas, e agora a um prisioneiro moribundo e abandonado por todos...
Esta vida foi simplesmente uma piada absurda e lamentável.
Quando Rodrigo recebeu o telefonema do hospital dizendo que Henrique teve um momento de lucidez, ele quase invadiu o quarto.
Ele empurrou a porta da UTI e viu o irmão mais abatido do que nos dias anteriores, mas seus olhos estavam estranhamente límpidos, olhando fixamente para o teto, como se esperasse por algo.
— Henrique!
Rodrigo caminhou rapidamente até a cama, com a voz carregada de uma emoção reprimida.
— Você acordou? Como se sente?
Henrique virou a cabeça lentamente, focando o olhar no rosto do irmão, e esboçou um arco fraco que mal podia ser chamado de sorriso.
Ele abriu a boca, e sua voz era tão fraca que quase não se ouvia:
— Rodrigo... você veio...
— Sim, eu vim.
Rodrigo inclinou-se rapidamente, segurando a mão assustadoramente fria do irmão.
— Não fale, poupe energias. O médico disse que você...
— Rodrigo... eu não tenho tempo...
Henrique o interrompeu. Havia em seu olhar a calma de quem já viu tudo, mas também um profundo cansaço e arrependimento.
— Eu... eu tenho coisas para dizer, para te contar. Talvez se não disser agora... não terei outra chance...
O coração de Rodrigo afundou violentamente. Ele apertou a mão do irmão:
— Fale, estou ouvindo.
Henrique falava com ódio. Se não fosse pela Sra. Rabelo e as outras, talvez ele nunca tivesse acabado tão miserável.
Henrique começou a tossir violentamente, e Rodrigo correu para ajudá-lo a recuperar o fôlego.
— Rodrigo, eu me arrependo. Eu realmente me arrependo.
— Não devia ter sido tão arrogante, tão prepotente. Se não fosse pela minha arrogância, eu não teria chegado a essa situação. Estraguei tudo.
Rodrigo ouvia com o coração em pedaços. Ele segurou a mão do irmão com força, sem conseguir dizer nada por um momento.
— E a Aeliana...
Henrique olhou para ele, com o olhar cheio de culpa.
— Naquela época, nossa família inteira parecia ter tomado algum veneno. Era claramente erro da Amália, mas todos nós ignoramos o erro dela e quisemos que a Aeliana levasse a culpa.
— Eu não devia... ter tratado a Aeliana daquele jeito... ela antigamente... me tratava muito bem... fui eu que não tive juízo... não valorizei... e ainda... ainda me juntei aos pais para intimidá-la... eu não fui humano...

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