Henrique respirava com dificuldade, e as lágrimas fluíam ainda mais fortes.
— E o Felipe... Felipe... eu também não o odeio mais... ele... ele provavelmente também foi... levado à loucura por mim... fui eu quem primeiro... transformou esta casa... numa bagunça...
— Não fale mais, Henrique, já passou... — consolou Rodrigo com a voz rouca.
— Não passou...
Henrique balançou a cabeça. Seu olhar foi se dispersando, carregando uma súplica de libertação.
— Rodrigo... quando eu morrer... encontre um lugar quieto... e me enterre, só isso...
— Não... não me enterre junto com o papai e a mamãe... eu... eu não tenho cara para encará-los... deixe-me... ir de forma limpa...
Após dizer essa última frase, ele pareceu ter usado todas as suas forças. Seus olhos se fecharam lentamente, a respiração tornou-se ainda mais fraca e ele caiu novamente em coma. Os números no monitor oscilavam de forma assustadora.
Rodrigo ficou paralisado ao lado da cama, segurando a mão sem vida do irmão, com o coração dilacerado.
Uma enorme sensação de impotência o engoliu como uma maré.
Olhando para Henrique naquele estado inerte, a impotência tomou conta de seu coração.
Será que ele ia apenas assistir Henrique morrer de olhos abertos?
Um pensamento surgiu incontrolavelmente na mente de Rodrigo.
Aeliana.
Sim, Aeliana! As habilidades médicas dela eram milagrosas, até o Sr. Gomes a elogiava incessantemente. Ela certamente teria uma solução!
Esse pensamento acendeu uma centelha de esperança nele, mas logo foi coberto por um desespero ainda mais profundo.
Com que cara ele iria implorar a ela?
As coisas que a família Oliveira fez a Aeliana, uma por uma, faziam com que ele mesmo se sentisse envergonhado só de lembrar. Aeliana já havia bloqueado o contato de todos eles, deixando claro que não queria mais nenhuma relação.
— Desculpe, Sr. Oliveira, acabei de informá-lo. O Sr. Barreto está em reunião e não pode receber visitas.
— Então eu espero ele!
— Ele certamente vai sair hoje, não vai? Se não sair, ficarei aqui esperando até que ele saia.
Rodrigo tinha a voz rouca, carregada de uma teimosia à beira do colapso. Ele ficou parado na porta do escritório, imóvel, como uma estátua de desespero.
Não se sabe quanto tempo passou, mas a porta do escritório finalmente se abriu.
Jocelino saiu, seguido por alguns executivos. Ao ver Rodrigo na porta, suas sobrancelhas franziram imperceptivelmente e seu olhar esfriou instantaneamente.
— Sr. Barreto!
Rodrigo, como se agarrasse a uma tábua de salvação, correu imediatamente para frente, com um tom urgente e até suplicante.
— Sr. Barreto, eu imploro! Deixe-me ver a Aeliana! Só uma vez! Meu irmão Henrique está morrendo! O hospital disse que não tem jeito! Só a Aeliana pode salvá-lo!

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