— Eu percebi na época da prisão. Você, garota, parecia frágil e delicada, mas tinha uma ferocidade escondida. — Disse Genoveva, analisando-a.
Ela continuou:
— Veja só, faz apenas um ano que saiu e já está tão bem. Em consideração ao fato de termos dividido o mesmo dormitório, não vai dar uma ajuda para a sua amiga Genoveva?
Aeliana permaneceu impassível e empurrou o envelope preparado:
— Genoveva, vim procurá-la hoje por causa da Flávia.
Genoveva devia ter ouvido falar nos últimos dias que Aeliana estava procurando pessoas daquela época para perguntar sobre Flávia, então não demonstrou surpresa.
Ela pegou o envelope, pesou a espessura na mão e fez um beicinho:
— Sabia que era sobre isso. Mas vou te dar um conselho: saber demais não traz benefício nenhum.
— O que você quer dizer? — Aeliana captou rapidamente a insinuação.
Genoveva baixou a voz repentinamente:
— Um dia antes de a Flávia morrer, eu vi com meus próprios olhos ela discutindo com alguém na lavanderia. Embora não tenha ouvido o conteúdo exato, a Flávia disse no final: "Eu posso morrer, mas não vou deixar vocês conseguirem o que querem".
O coração de Aeliana afundou:
— Quem era a pessoa?
— Não vi o rosto, só as costas. Vestia roupas da cozinha.
Genoveva completou:
— Acho que a Leona não tem como escapar dessa.
— Leona?
Isso confirmava exatamente o que a Sra. Sousa havia dito.
Após falar, Genoveva olhou nervosamente ao redor.
— É só isso que eu sei.
Aeliana observou Leona e disse pausadamente:
— Lembro que sua filha estuda na Escola Municipal da Zona Sul, na terceira série. Todos os dias, às quatro da tarde, quando sai da escola, ela passa por aquele beco sem câmeras de segurança.
Leona, que até então apenas chorava calada, agitou-se repentinamente ao ouvir Aeliana mencionar sua filha.
— Não toque na minha filha!
Ela gritou:
— Isso não tem nada a ver com ela! Ela é inocente!
— Minha mestra também era inocente. Na prisão, ela protegeu tanta gente, salvou tanta gente, e no final morreu sem explicação naquela cela. — Retrucou Aeliana.
Ao mencionar o fato, o coração de Aeliana doeu como se fosse picado por agulhas, acompanhado de uma culpa persistente.
Ela não conseguia deixar de pensar que, se tivesse sido mais atenta na época, talvez tivesse percebido a anormalidade de Flávia.

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