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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1157

Sempre que pensava que Flávia poderia estar suportando uma pressão imensa sozinha em seus últimos momentos, enquanto ela permanecia alheia a tudo, Aeliana sentia uma culpa sufocante.

A culpa a consumia por dentro, fazendo-a pensar que, se tivesse notado os sinais antes, o desfecho poderia ter sido diferente.

Nas noites silenciosas, os ensinamentos de Flávia ecoavam em seus ouvidos. Aqueles detalhes ignorados, agora, pareciam tão óbvios, mas na época ela fora cega para eles.

Leona foi atingida em cheio pelas palavras de Aeliana e ficou momentaneamente sem fala.

Na sala, ouvia-se apenas o borbulhar da água do café fervendo; a atmosfera era tão pesada que ficava difícil respirar.

Ela podia sentir a raiva reprimida nas palavras de Aeliana, mas também notou um traço imperceptível de compreensão, o que fez suas defesas internas começarem a ruir.

O vapor do café subia devagar; o ar entre as duas parecia pesado de anos de ressentimento que atravessara os anos.

Depois de um longo tempo, Leona finalmente levantou a cabeça, com um olhar onde se misturavam o medo e um último fio de esperança.

Seus dedos acariciavam inconscientemente a borda da xícara, e sua voz tremia:

— Se eu falar, você garante que não vai tocar na minha filha? Que vai deixar nossa família em paz?

Leona respirou fundo:

— Sei que não tenho o direito de impor condições, mas como mãe, preciso ter certeza. Você pode me odiar, pode me punir, mas minha filha é inocente.

Aeliana sustentou o olhar dela, com um tom calmo, mas carregado de força inquestionável:

A voz de Leona embargou, e ela continuou:

— Mas eu estava realmente sem saída. Meu marido estava jogando na Vila das Nuvens Cinzentas e devia cinco milhões a agiotas. Aqueles cobradores vinham à porta todos os dias, dizendo que se não pagássemos, picariam ele para dar aos cachorros.

Sua voz foi ficando cada vez mais baixa, como se voltasse àqueles dias de terror:

— Você não imagina... naquela época, a primeira coisa que eu fazia ao acordar era checar se havia cartas ameaçadoras com sangue na porta de casa. Eu tremia só de ouvir uma batida na porta.

Aeliana ouvia em silêncio, sem tirar os olhos do rosto de Leona. Sentia o medo e o desamparo nas palavras dela, mas a raiva em seu coração era difícil de aplacar ao lembrar do destino de Flávia.

— Depois... depois alguém me procurou. — A voz de Leona tremia visivelmente, como se cada palavra exigisse uma coragem imensa. — Ele disse... disse que se eu colocasse um pacote de 'coisa' na comida da Flávia... toda a dívida seria perdoada. Minha primeira reação foi recusar, mas...

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