Aline assentiu repetidamente, dando tapinhas no peito com um ar de alívio pós-susto.
— Sim, sim, sim!
— Ainda bem que a Aeliana cortou relações com eles. Foi a melhor coisa que aconteceu!
— Gente desse tipo só traz azar se a gente se envolver! Aeliana, agora que você está bem com o meu irmão, isso é melhor que qualquer coisa!
No entanto... para onde teria ido a Amália?
Aline também achava a situação cheia de mistérios. Ela balançou a cabeça, meio a brincar:
— Ela não teria voltado para aquele pai biológico que nunca viu, teria?
Aeliana, que estava prestes a levar a xícara de café aos lábios, parou o movimento de forma quase imperceptível ao ouvir as palavras "pai biológico".
Contudo, assim que terminou de falar, Aline achou a própria ideia absurda e balançou a cabeça com repulsa.
— Ai, o que é que eu estou a pensar!
— Não deve ser um drama tão novelesco assim.
— Aquele pai biológico da Amália, que teve a coragem de trocar os bebés naquela época, é uma pessoa sem caráter. Mesmo que tenha trocado a Amália para uma família rica, na essência, ele foi um lixo que abandonou a própria filha. Ele desapareceu há tantos anos, talvez já tenha morrido em algum lugar.
— Além do mais, embora a Amália pareça frágil e inofensiva por fora, na verdade ela é esperta como uma raposa. Como é que ela iria recorrer a ele?
— Isso não seria cair na própria armadilha? Aquele pai biológico foi capaz de vendê-la uma vez, seria capaz de vendê-la uma segunda.
Aline mordeu um pedaço do macaron e continuou a sua análise:
— Eu acho que a Amália deve ter pegado o dinheiro da família Costa... err, desculpa, Beatriz.
Ela percebeu que falou demais e tapou a boca rapidamente, lançando um olhar de desculpas para a Beatriz, antes de baixar a voz:
Aeliana não mencionou o homem misterioso para a Beatriz e a Aline. Primeiro, porque o poder por trás desse homem era demasiado grande; segundo, porque a Aline e a Beatriz eram demasiado inocentes. Saber disso só as deixaria preocupadas e não ajudaria em nada.
Contar-lhes só traria angústia, por isso era melhor esperar até que ela e o Jocelino resolvessem o assunto antes de lhes dizer algo.
As palavras da Aeliana traziam uma força tranquilizadora.
Ao ver o olhar firme dela, a inquietação no coração da Beatriz pareceu dissipar-se um pouco. Ela assentiu:
— Sim, tens razão. Eu estava a pensar demais. As coisas estão bem agora, valorizar o presente é o mais importante.
Vendo a situação, Aline apressou-se a animar o ambiente:
— Isso mesmo! Vamos falar de coisas alegres! Aeliana, conta lá, quando é que tu e o Sr. Barreto vão fazer o casamento? Eu estou à espera para ser madrinha!
Ao ouvir Aline mencionar o casamento, as bochechas da Aeliana coraram levemente. Ela ergueu a xícara de café para disfarçar e tomou um gole, deixando transparecer um traço de doçura e resignação que quase passou despercebido.

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