Na sala de interrogatório, a luz incandescente brilhava de forma ofuscante.
Jordana estava sentada em uma cadeira dura. As algemas reluzentes em seus pulsos e o copo de água já esfriado sobre a mesa compunham o retrato perfeito de sua situação atual.
A queda do paraíso ao inferno levara apenas algumas horas.
No entanto, a Jordana ainda era a Jordana. Até o momento em que de fato pisasse em uma penitenciária, ela não aceitaria seu destino tão facilmente.
Jordana forçou-se a manter a calma.
Sim, ela ainda tinha um trunfo.
Possuía a melhor equipe de advogados do país, os grandes nomes do mercado aos quais já havia pago honorários astronômicos. Se conseguisse enrolar até que eles chegassem, ainda haveria espaço para reverter a situação.
Ela continuava a encorajar a si mesma mentalmente, tentando preservar um último pingo de dignidade.
O delegado responsável pelo interrogatório colocou uma pilha grossa de documentos sobre a mesa e a empurrou na direção dela.
— Jordana, o que você tem a dizer sobre as acusações de Noriel, Henrique e as confissões relacionadas feitas por Adelina e as outras?
Jordana ergueu as pálpebras, lançou um olhar de relance para a pilha de papéis e logo desviou o rosto com desdém, recusando-se a colaborar com o interrogatório.
— Não tenho nada a declarar. Até que meus advogados cheguem, não responderei a nenhuma pergunta. Exijo exercer o meu direito de permanecer em silêncio.
O delegado parecia já prever essa reação e não demonstrou pressa.
Ele inclinou o corpo levemente para a frente, apoiando-se na mesa, e observou Jordana com bastante interesse.
— Seus advogados certamente virão, não vamos impedir o procedimento legal. — O delegado fez uma pausa, fixando um olhar penetrante em Jordana. — Porém, Jordana, há algo que você precisa saber.
— As suas "grandes amigas", incluindo Adelina, já contaram tudo o que sabiam na tentativa de conseguir um acordo de delação premiada, logo após serem intimadas pela polícia.



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