— Se não fosse pela ganância dela e por deixar tantos rastros, como alguém teria conseguido nos pegar?
— Eu fui cega em tê-la trazido para perto de mim!
Jordana parecia ter encontrado a válvula de escape para o seu fracasso, despejando todo o seu veneno e pavor em xingamentos contra Adelina.
— Eu dei comida, dei roupas, coloquei ela na alta roda da sociedade, entreguei os contatos de bandeja! E é assim que ela me agradece? Sendo a primeira a virar delatora na hora do aperto! Ela acha que vai sair ilesa só por ter aberto o bico? Que continue sonhando! Se eu afundar, vou arrastar todas elas comigo!
O delegado assistiu ao seu show de histeria com frieza. Apenas quando a torrente de xingamentos diminuiu, ele falou num tom neutro:
— Pelo visto, você tem plena consciência de tudo o que fez. Quanto a se elas vão escapar ou não, isso é um assunto para a Justiça. Neste momento, quem deveria estar preocupada consigo mesma é você.
Os xingamentos de Jordana cessaram abruptamente, como se tivesse levado um soco no estômago.
Ela desabou na cadeira, tremendo dos pés à cabeça. Aquele acesso de fúria havia drenado todas as suas forças e estilhaçado a sua última gota de esperança.
Advogados?
Mesmo os criminalistas mais caros do país não poderiam fazer milagres diante de provas tão irrefutáveis.
Jordana sabia que estava acabada.
Completamente arruinada.
A polícia já tinha todas as provas em mãos; trazê-la para o interrogatório era apenas uma mera formalidade burocrática.
Naquele instante, a Jordana teve a clareza cortante de que o império que havia construído meticulosamente ruíra. As "amigas" que usava como peões e as rotas de fuga que julgava infalíveis... tudo virou pó.

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