— Fez com as próprias mãos?
Heloisa arregalou os olhos, agradavelmente surpresa, e puxou a mão de Jocelino para observar mais de perto.
— É mesmo? Menina, você tem mãos de fada! Essa aliança parece simples, mas o acabamento é muito cuidadoso, e coube perfeitamente.
Dizendo isso, ela lançou um olhar de repreensão para o próprio filho:
— Aprenda com a consideração da Aeliana. Ao contrário de você, que só sabe passar o cartão de crédito quando quer dar um presente.
Jocelino não se importou nem um pouco com a bronca da mãe. Na verdade, o sorriso em seus olhos ficou ainda mais profundo, deixando claro que a frase "Aeliana fez com as próprias mãos" era o maior elogio que ele poderia receber.
Eduardo olhou para o seu neto, que costumava ser sempre tão sério, equilibrado e que não demonstrava as suas emoções. Agora, ele estava ali, levantando a mão esquerda e quase implorando para que toda a iluminação da sala focasse naquele pequeno aro. A expressão de orgulho no rosto de Jocelino era tão escancarada que o avô mal conseguia olhar.
Ele ergueu a sua xícara, soprou uma fumaça imaginária do café e soltou um resmungo de desdém.
— Veja só que atitude mais boba. — Resmungou Eduardo, embora o canto de seus olhos não pudesse evitar espiar a aliança lisa novamente. — Ficou todo bobo por causa de uma simples aliança? Lembro-me de quando dei a primeira joia decente para a sua avó. Usei as economias de seis meses para encomendar uma pedra de esmeralda de excelente qualidade lá do interior de Minas, e contratei um mestre ourives que levou um mês inteiro para transformá-la em um lindo broche. Sua avó o usou pela vida toda, e depois...
Enquanto falava, o rosto de Eduardo assumiu uma expressão suave de nostalgia, deixando claro o quão preciosa era aquela memória.
— Vovô. — Jocelino interrompeu as lembranças de Eduardo, num gesto raro. Ele abaixou a mão, mas inclinou o corpo ainda mais na direção de Aeliana, falando com um tom de quem constata o óbvio. — Isso é diferente.
— O senhor deu o broche de esmeralda para a vovó, essa foi a sua demonstração de afeto.
Jocelino segurou a mão de Aeliana, acariciando suavemente o aro de platina com a ponta dos dedos, enquanto um sorriso nítido transparecia em seu olhar.
— Mas eu tenho esta aliança que Aeliana fez com as próprias mãos. Isso é meu.
Eduardo ficou sem palavras por um segundo. Ele olhou para a atitude convicta do neto e depois para Aeliana, que estava ao lado dele sorrindo docemente, claramente muito feliz também. O velho acabou não resistindo e começou a rir, balançando a cabeça.
— Que bom, isso é maravilhoso. Essa aliança vale mais do que qualquer coisa. Jocelino, você tem que usá-la para sempre, não pode tirar.
— Eu não vou tirar. — Respondeu Jocelino imediatamente, com o olhar fixo no rosto de Aeliana e um tom de voz mais solene do que nunca. — Eu não vou tirar pelo resto da minha vida.
Heloisa olhou para o filho, que parecia querer soldar a aliança no próprio dedo, e sentiu uma mistura de diversão e alívio.
Ela se levantou e foi até a sala anexa. Em pouco tempo, retornou carregando um catálogo de capa dura, grosso e aparentemente muito pesado.
— Venham cá, Aeliana e Jocelino. Deem uma olhada nisso.
Heloisa colocou o catálogo sobre a mesa de centro, deu um tapinha na capa e abriu um sorriso largo.
— Estas são as propostas que eu analisei recentemente de algumas das melhores empresas de planejamento de casamentos, além de algumas referências de locais, vestidos de noiva e joias. Vejam se vocês gostam de alguma coisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias