Aeliana virou-se, exibindo aquele rosto absolutamente comum, e piscou para ele. A sua voz foi propositalmente abaixada e suavizada, assumindo um sotaque popular e arrastado, em total contraste com a voz fria de "Aeliana" e com o tom frágil da "Sra. Porto".
Jocelino saiu do transe, encontrando os olhos dela por trás das lentes, que agora carregavam um sorriso provocador.
Ele pigarreou de leve, desviou o olhar e tomou um gole de água do seu copo para disfarçar o deslize momentâneo:
— As suas habilidades continuam impecáveis como sempre. Eu quase não te reconheci.
Aeliana deu alguns passos à frente, aproximando-se dele deliberadamente com aquele rosto desconhecido, baixando a voz e usando aquele tom arrastado, com uma ponta de sarcasmo.
— Senhor, ficou encarando eu aqui sem graça por tanto tempo. Tem algo no meu rosto, ou... o senhor tem gostos peculiares?
Jocelino foi pego de surpresa por aquele "flerte" repentino, sentindo as orelhas esquentarem levemente, mas manteve a sua postura de CEO inabalável, embora uma pitada de indulgência e resignação tenha cruzado o seu olhar.
Ele abaixou o copo, ergueu a mão e acariciou suavemente a lateral do rosto dela com o polegar.
— Pare com isso. — Ele advertiu, baixando a voz, mas sem colocar verdadeira força nas palavras.
— Cuidado para eu não acabar arruinando o seu disfarce. — Acrescentou.
Aeliana percebeu que era o limite e recuou um passo, recuperando a seriedade em sua expressão, muito embora o sorriso não houvesse desaparecido dos seus olhos.
— Não se preocupe, com esta aparência, nem mesmo o Sr. Wallace me reconheceria sem olhar de perto. A minha "consulta" está marcada para esta tarde em uma padaria. É um lugar cheio de pessoas de todos os tipos, perfeito para captar rumores.
— Continue seguindo o seu plano por aqui. Aja como o Sr. Porto que "aguarda ansiosamente a recuperação do sogro e está na expectativa pelo jogo deste fim de semana", e tudo ficará bem. — Concluiu ela.
Jocelino assentiu, observando enquanto ela pegava uma bolsa de lona desgastada e igualmente comum, guardando algumas ferramentas e itens de maquiagem lá dentro.
Em vez disso, circulou por algumas mesas de jogo comuns no salão principal, fazendo apostas medianas e alternando entre ganhos e perdas, aparentando estar distraído.
Como previsto, não demorou muito para que alguém se aproximasse dele.
Era justamente o Sr. Correia, o mesmo homem que havia feito comentários maliciosos durante a "luta de feras encurraladas" naquela noite e que foi repreendido por Caio.
Ele estava acompanhado de dois homens que pareciam ser seus parceiros de negócios.
— Ora, ora! Sr. Porto! Que visita rara hoje!
O Sr. Correia segurava uma taça de bebida com um sorriso no rosto, mas a sua expressão claramente transmitia um tom de avaliação e curiosidade:
— Como é que o senhor está sozinho? Onde está a sua respeitável esposa? E o temperamental do Wallace, não os acompanhou?

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