"Narciso" suspirou e acenou com as mãos, parecendo um tanto envergonhado e desanimado.
— Nem me fale sobre isso, Sr. Correia! Por favor, nem comente!
"Narciso" não conseguiu conter as queixas sobre o que havia acontecido da última vez.
— É tudo por causa daquela... cof, cof, daquela "luta de feras" da última vez!
— A minha esposa é muito sensível e a sua saúde é frágil. Ela não ficou nada bem quando retornou para o hotel. Teve uma febre altíssima naquela mesma noite e começou a delirar, falando apenas sobre coisas terríveis e sangrentas! — Continuou "Narciso".
— Eu fiquei apavorado! Eu chamei um médico para examiná-la, e ele diagnosticou que foi um trauma psicológico causado por um grande susto. Ela precisa de muito descanso e não pode ser submetida a novos estímulos estressantes.
O Sr. Correia ouviu atentamente, estreitando os olhos de leve.
Aquela Sra. Porto realmente tinha a aparência de alguém que poderia ser derrubada por uma simples lufada de vento, o tipo de pessoa que cresceu sendo mimada e protegida. Testemunhar cenas daquele tipo de fato poderia traumatizá-la.
"Narciso" não pareceu notar a reação suspeita do Sr. Correia, e a angústia em seu rosto apenas se acentuou:
— Quando o c descobriu o que houve, ele me deu uma bronca memorável!
— Ele me chamou de um marido negligente por levar a minha própria esposa a um lugar daqueles e ser incapaz de protegê-la... — Continuou ele.
"Narciso" soltou um longo suspiro.
— Ah, o Wallace ficou furioso, a pressão arterial dele até disparou. Ele está no hotel neste exato momento, deitado e remoendo a sua fúria, afirmando que jamais pisaria neste lugar novamente e proibindo a minha esposa de retornar.
— Hoje, eu... eu escapei às escondidas apenas para espairecer um pouco a mente e afastar o tédio!
O Sr. Correia trocou um olhar significativo com os seus companheiros, e todos exibiram uma expressão de "agora tudo faz sentido". Tentando demonstrar falsa compaixão, ele deu um tapinha no braço de Jocelino.
O Sr. Correia deu outro tapinha no ombro dele, assumindo a postura de um "grande amigo":
— Eu compreendo perfeitamente! A harmonia na família é sempre a prioridade! Mas o evento deste fim de semana realmente é algo fora de série, Sr. Porto, seria uma lástima deixar passar.
— Se conseguir comparecer, nós podemos nos divertir juntos! Aquele pequeno mal-entendido da última vez já é página virada! — Afirmou ele.
— Com toda a certeza! — Jocelino assentiu rapidamente, forçando novamente aquele sorriso submisso e ligeiramente culpado em seu rosto.
Após trocarem mais algumas palavras superficiais, o Sr. Correia finalmente se afastou com a sua equipe, dirigindo-se a uma outra mesa de jogo. Jocelino os acompanhou com os olhos enquanto se afastavam. Naquele exato momento, toda a angústia e submissão que havia simulado desapareceram instantaneamente do seu olhar, sendo substituídas por uma calma profunda e insondável.
Ele continuou vagando sozinho pelo cassino por quase uma hora, fazendo apostas modestas, perdendo mais do que ganhava, assemelhando-se perfeitamente a um cliente comum, entediado e ali apenas para matar o tempo.
Mas ele conseguia sentir que os olhares furtivos, escondidos pelas sombras, ocasionalmente recaíam sobre as suas costas.

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