Até sentir que havia se "distraído" o suficiente, Jocelino trocou as fichas restantes e deixou o "Cassino Safira Azul" com uma leve expressão de cansaço.
Ao sair pelos portões, a luz do sol da tarde ofuscou seus olhos.
Ele ergueu a mão para bloquear a claridade, seu olhar varrendo casualmente algumas figuras que pareciam vagar pela esquina, e então caminhou direto para o carro que o aguardava.
O "Narciso" solitário parecia um pouco mais desolado do que quando estava acompanhado por sua "esposa doente" e seu "sogro".
Agora, restava aguardar os resultados da investigação secreta de Aeliana, além de descobrir quais "convidados VIP" compareceriam ao "Cassino Serra Nobre" no fim de semana e quais mistérios estariam ocultos por lá.
No começo da noite, as primeiras luzes da cidade se acenderam.
As noites na Vila das Nuvens Cinzentas sempre chegavam de forma intensa e inebriante.
Jocelino apareceu sozinho no "Cassino Safira Azul".
Ele usava uma camisa estampada ligeiramente extravagante, escolhida a dedo, coberta por um paletó de veludo de corte impecável, mas com um estilo moderno até demais. No pescoço, ostentava uma corrente de ouro pesada, a imagem perfeita de um novo rico do país A, temeroso de que alguém não notasse sua fortuna.
A recepcionista à porta era uma jovem vestindo um elegante vestido de seda com fendas laterais. Após verificar o cartão black, ela correu o olhar por trás dele e perguntou com a voz suave.
— Boa noite, Sr. Porto. A Sra. Porto e o seu pai não vieram juntos?
No entanto, nada daquilo era da conta de uma simples recepcionista. Vendo a insatisfação do cliente, ela apenas assentiu com educação, com um tom que carregava a medida certa de desculpa e consolo.
— Puxa, Sr. Porto, peço mil perdões! Ter assustado a sua esposa foi realmente um erro nosso. — Ela disse, com polidez. — O senhor sabe como é, temos uma grande variedade de programas aqui e sempre queremos oferecer algo novo e empolgante aos nossos convidados VIP. Não imaginávamos que... Enfim, foi uma falha nossa em não considerar isso.
A atitude da recepcionista foi aceitável, o que fez com que "Narciso" parecesse incapaz de dar vazão à sua raiva, mesmo querendo.
Ele bufou, seu rosto relaxando um pouco, e acenou com a mão, adotando um tom arrogante de quem "não se rebaixa a discutir com os subordinados".
— Tudo bem, não adianta eu reclamar com você. — Resmungou. — Onde está o Sr. Lopes? Preciso falar com ele pessoalmente.

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