Após terminar de falar, o homem de terno recuou levemente o corpo, pegou sua taça de uísque e deu um gole, observando a reação de "Narciso" com o canto do olho.
Esse tal Sr. Porto parecia apenas um novo rico que só queria saber de curtir a vida, mas o fato de vir sozinho em um momento como aquele talvez indicasse que ele não era tão simples assim.
De qualquer forma, não custava nada jogar conversa fora. Revelar uma informação trivial, mas suficiente para mostrar que ele "tinha contatos", poderia muito bem lhe render um aliado rico e ingênuo. Por que não tentar?
— Ah, então é isso! — Exclamou "Narciso", fingindo compreensão. — Eu já estava me perguntando! Que baita azar! Um lugar tão bom e agora parece a alfândega do aeroporto! Mas nós não temos nada a ver com isso. Em vez de irem atrás de quem fez a burrada, por que estão atormentando a gente?
O homem de terno deu de ombros, exibindo uma expressão de resignação empática no rosto.
— Pois é, quem me dera saber. — Ele concordou.
Em sua mente, ele ponderou que, embora o Sr. Porto à sua frente parecesse grosseiro, não era de todo ignorante, pois sabia reclamar do que importava.
Contudo, quem passava por aquelas portas não tinha dinheiro e status? Lá fora, todos ali eram pessoas acostumadas a ter comitivas ao seu redor e cujas ordens nunca eram questionadas. Ser revistado daquela forma certamente causaria insatisfação.
Mas, pensando bem, se não fosse pelas oportunidades ocultas no "Cassino Serra Nobre" organizado pelo Sr. Lopes, quem se sujeitaria a isso? Aquelas figuras importantes que raramente eram vistas em público, bem como as "facilidades" das quais se falava à boca pequena — vantagens muito superiores ao que as regras oficiais poderiam oferecer — eram os verdadeiros atrativos.
Engolir o orgulho no momento era o preço a pagar por benefícios a longo prazo.
Pensando assim, suas palavras de consolo tornaram-se ainda mais sinceras:
Um dos seguranças de preto posicionado na porta deu um passo à frente imediatamente, bloqueando o caminho de Jocelino.
— Sr. Porto, por favor, coopere. — Pediu o guarda. — Pode confirmar se o senhor carrega mais algum objeto metálico?
"Narciso" franziu a testa, seu rosto instantaneamente exibindo uma impaciência evidente.
Ele estalou a língua e bateu com força nos bolsos laterais da calça social, produzindo um som oco.
— Não tem mais nada! — Esbravejou. — É só a fivela do cinto! O que mais poderia ser? Eu vim participar do evento de vocês, não sou um criminoso!

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