A expressão do segurança permaneceu inalterada, enquanto ele explicava com paciência:
— Acalme-se, Sr. Porto. São as regras da casa. Para garantir a privacidade e o entretenimento de todos os convidados VIP, é necessário passar pela segurança para acessar o salão principal. Celulares, câmeras, gravadores de voz ou quaisquer dispositivos eletrônicos com capacidade de gravação de áudio ou vídeo devem ser entregues temporariamente à nossa guarda. Serão devolvidos no momento de sua partida, o senhor pode ficar tranquilo.
— O quê? Entregar o celular também? — Ele retrucou ao ouvir isso, com os olhos arregalados e a voz aumentando de volume, enquanto aquela atitude obstinada e turrona aflorou instantaneamente. — Estão de brincadeira comigo? Um empresário do meu nível não pode ficar sem o celular! E se o sinal aí dentro for ruim e houver uma emergência na minha empresa, ou na minha casa, o que eu faço? Vocês vão arcar com as consequências?
Enquanto falava, ele instintivamente cobriu o bolso interno onde estava o celular, o rosto marcado por relutância e desconfiança.
— Sr. Porto, seja compreensivo. — O segurança continuava bloqueando a passagem. Seu tom era suave, mas ele não cedeu nem um milímetro. — Esta é uma regra estabelecida pelo próprio Sr. Lopes para este Cassino Serra Nobre, e se aplica a todos os convidados, sem exceções. O senhor pode ficar tranquilo. Para este Cassino Serra Nobre, até solicitamos a cooperação da polícia da Vila das Nuvens Cinzentas. É absolutamente seguro lá dentro. Por favor, facilite o nosso trabalho.
— Que nada! Facilitar o caramba! — Gritou Jocelino (sob a pele de "Narciso"). A sua raiva explodiu de uma só vez, e ele balançou o braço de forma brusca, estufando o peito, adotando perfeitamente a postura de um novo rico encrenqueiro. — Eu não vou cooperar hoje, e aí? O que vão fazer? Vão me jogar para fora?
O rosto do segurança escureceu, e a pouca educação profissional de antes desapareceu em um instante. Uma aura ameaçadora transpareceu em seu semblante, deixando claro que ele tinha um passado no submundo.
— Sr. Porto, por favor, coopere. — Disse o homem de forma dura. — Estas são as regras, iguais para todos os clientes. Sem passar pela segurança, não há entrada. Estamos apenas seguindo ordens.
Com os olhares ao redor se voltando para eles, a expressão do guarda mudou sutilmente, mas ele ainda se manteve firme em frente à porta:
— Sr. Porto, o senhor entendeu mal, não é nada disso. — Tentou apaziguar. — Isso é apenas pela segurança e privacidade de todos...
— Segurança? Privacidade? — Ele ironizou, interrompendo com uma risada fria. — Para mim, estão é se prevenindo contra mim! Muito bem! Vá chamar esse tal de Sr. Lopes agora mesmo! Quero perguntar na cara dele se essa é a forma como o Sr. Lopes trata seus convidados, ou se o "Cassino Safira Azul" de vocês é grande demais para respeitar os clientes e só gosta de pisar nos mais fracos!

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