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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1331

Cica estava tão irritado que nem conseguia mais fumar. Ele amassou o que restava do cigarro na parede descascada, deixando uma marca preta de queimado.

Igor coçou a nuca, frustrado:

— Merda! Quem diria que ela conseguiria se esconder em um lugar assim!

Ele se lembrou das ordens que o Chefe lhes dera antes de saírem.

Rui lançou um olhar apreensivo para Cica.

— Cica, agora... nós a perdemos de vista. O que vamos dizer... para o Chefe?

— O Chefe deixou bem claro qual era o serviço. A gente tinha que descobrir exatamente por onde aquela velha andava.

— E agora que a perdemos de vista, como vamos saber onde ela mora?

Igor também engoliu em seco e completou:

— É verdade, Cica. O Chefe odeia quando o trabalho é mal feito. Da última vez... da última vez que não ficamos de olho na carga, Hadrian e os outros...

— Calem a boca!

Cica coçou a cabeça, irritado.

Como se ele não soubesse que tipo de pessoa o Chefe era.

— Agora vocês estão com medo? Onde vocês estavam agora há pouco? Na primeira dificuldade, só sabem reclamar e choramingar!

— E o que adianta agora? Ficar parado reclamando?!

— Calem essa porra dessa boca!

— E... e como a gente resolve isso... — Igor levou a bronca e encolheu os ombros, a voz diminuindo cada vez mais. — E se... a gente contar a verdade pro Chefe? Dizer que a feira noturna estava cheia pra caralho, todo mundo se empurrando, e num piscar de olhos...

— Você tem problema na cabeça para querer contar a verdade?

Cica virou a cabeça bruscamente, com os olhos arregalados:

Ele revirou os olhos, pensando rápido, e continuou:

— Vamos sustentar que seguimos ela até a entrada daquele conjunto abandonado. Vimos com nossos próprios olhos quando ela entrou. Mas lá dentro estava escuro pra caralho, cheio de becos, parecendo um labirinto. Nós três nos separamos e procuramos várias vezes, mas não conseguimos achar em qual bloco ela entrou. Só que ela com certeza está escondida por ali, não tem como ter escapado. Pelo menos assim mostramos que fomos até o fim, e não que a perdemos no meio da rua.

Cica não disse nada. Pegou o maço de cigarros, tirou um e o colocou na boca. O “clique” do isqueiro ecoou, e a chama iluminou seu rosto sombrio.

Ele deu uma longa e forte tragada, fazendo a ponta do cigarro brilhar intensamente.

— Merda, vai ter que ser assim.

— Quando voltarmos, mantenham a boca fechada. Não deixem escapar uma palavra sequer.

Cica encarou os outros dois, especialmente Igor:

— Se o Chefe perguntar, usem exatamente a história de agora. Se alguém der com a língua nos dentes...

Ele não terminou a frase. Apenas tirou o cigarro da boca e apagou a brasa apertando-a entre o polegar e o indicador. O movimento foi lento, mas carregado de brutalidade.

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