Aeliana andava com a cabeça levemente baixa. Seus passos pareciam tranquilos, mas o ritmo era ligeiramente acelerado, transmitindo uma sensação de urgência quase imperceptível.
Logo, sua silhueta se misturou aos poucos pedestres da ruazinha, caminhando na direção completamente oposta às luzes barulhentas da feira noturna ao longe. Por fim, sua figura se dissolveu na escuridão mais densa e nas sombras das árvores balançando.
Wallace aguardava no local combinado dentro de um carro discreto.
Aeliana abriu a porta rapidamente e sem fazer barulho, sentando-se no banco de trás e trazendo consigo o frio leve da brisa noturna.
Wallace deu a partida quase no mesmo instante, e o carro deslizou silenciosamente para dentro das sombras da rua.
— Como está a situação? — Aeliana perguntou enquanto colocava o cinto de segurança.
Wallace olhou pelo espelho retrovisor:
— Tudo certo. Jocelino mandou mensagem dizendo que a mesa de jogo acabou.
— Ele disse que chamou muita atenção no jogo de hoje e agora é o centro das atenções. A velha raposa do Sr. Lopes veio acompanhá-lo pessoalmente.
— Os detalhes só saberemos quando chegarmos lá.
Aeliana assentiu com a cabeça.
O carro estacionou em uma rua de trás, relativamente tranquila, próxima ao Cassino Safira Azul.
Nenhum deles desceu; apenas ficaram aguardando em silêncio.
Em pouco tempo, viram a figura de Jocelino saindo por uma porta lateral.
Jocelino carregava uma mala grande na mão e conversava com o Sr. Lopes, que o acompanhava. O Sr. Lopes exibia um sorriso largo e uma atitude extremamente solícita.
Ele abriu a porta com violência e, apoiado em sua bengala de sândalo, caminhou furioso na direção deles. Antes mesmo de chegar, sua voz afiada, sarcástica e com um sotaque carregado já ecoava pela esquina silenciosa.
— Narciso! O que você ainda está enrolando aí?
— Selena não está se sentindo bem, esperou por você a noite toda e até me ligou!
— E você aí, de papo com uma desconhecida, como se tivesse esquecido da própria esposa. Que vergonha!
Wallace deu ênfase proposital na última frase e lançou um olhar atravessado para Fabíola. O desprezo no olhar deixava claro o julgamento.
O sorriso no rosto de Fabíola congelou instantaneamente. Uma pitada de choque e constrangimento passou rapidamente pelos seus olhos brilhantes, logo sendo encoberta por uma camada de raiva contida.
Ela se orgulhava de seu status e beleza. Quando havia sido apontada em público e tratada daquele jeito? Especialmente por um velho com jeito tão rude e grosseiro?

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