Os dois exalavam um ar tão apaixonado que excluíam Fabíola completamente.
Fabíola percebeu a provocação de Aeliana e também fechou a cara. Não olhou mais para ela, dirigindo-se apenas a “Narciso”:
— Sr. Porto, já que sua família veio buscá-lo, não vou mais atrapalhar o reencontro de vocês. A noite foi muito divertida, espero que tenhamos outra chance de jogar. Sr. Lopes, acompanhe a família do Sr. Porto.
Depois de dizer isso, não perdeu mais tempo. Sem sequer dar uma última olhada em Jocelino e Aeliana, virou-se, apoiada em seus saltos, estufou o peito e caminhou rapidamente até o sedã preto que a esperava.
A porta se fechou, e o carro arrancou velozmente, deixando para trás apenas um rastro sutil de perfume.
O ambiente mergulhou numa estagnação constrangedora e sutil.
O Sr. Lopes acompanhou com o olhar as costas inflexíveis de Fabíola indo embora, reclamando amargamente em sua cabeça.
Com a fúria daquela patricinha despertada, ele esperava do fundo do coração que ela não fosse falar mal dele para o chefe.
Mesmo assim, ele rapidamente desenhou um grande sorriso no rosto. Soltou duas risadas forçadas para quebrar o silêncio e apressou-se em abrir a porta do carro pessoalmente para a família de Jocelino. Seu tom parecia ainda mais entusiasmado, tentando varrer para debaixo do tapete o constrangimento que acabara de ocorrer.
— Sr. Porto, Sra. Porto, Sr. Oliveira, perdoem a indelicadeza.
— A Sra. Saramago... foi muito mimada pela família desde pequena. Ela tem um gênio um pouco forte, mas não tem maldade, só é muito direta ao falar.
— Hoje à noite o Sr. Porto se destacou muito no nosso cassino, e a Sra. Saramago ficou curiosa, por isso quis conversar um pouco mais com ele. Por favor, Sra. Porto, não entenda mal.
Enquanto falava, ele avaliava de forma discreta a expressão de Aeliana. Vendo que ela continuava pálida, apoiando-se fragilmente em Jocelino sem demonstrar nenhuma reação exagerada, continuou com seu sorriso:
— A Sra. Porto não está se sentindo bem e, ainda assim, veio buscar o marido. Isso sim é amor. É de dar inveja. A senhora está se sentindo um pouco melhor agora? Gostaria que eu chamasse um médico para dar uma olhada?
Aeliana ergueu lentamente as pálpebras, encarando o Sr. Lopes. Era um olhar gélido, como águas turvas cobertas por neblina; ninguém seria capaz de dizer o que ela sentia. Balançou a cabeça de forma suave:
Wallace franziu o cenho, medindo o Sr. Lopes de cima a baixo com um olhar atravessado. Seu tom tornou-se ainda mais ríspido:
— E daí que é a filha do rei dos cassinos? Só por ser filha dele, acha que pode se esfregar num homem casado e ficar cochichando no ouvido dele?
— Narciso!
O dedo de Wallace quase encostou no nariz de “Narciso”:
— Se você chegou aonde está hoje, foi porque a família Oliveira te ergueu com as próprias mãos! Seu moleque!
— É bom você andar na linha!
— Não pense que só porque tem uns trocados no bolso agora pode perder o juízo. Não esqueça de onde veio! Não ouse fazer nada que magoe a Selena ou que manche o nome da nossa família Oliveira! Entendeu bem?

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