Depois de terminar uma observação clínica sem nenhuma novidade relevante em um dos setores, Aeliana massageou as têmporas latejantes e se preparou para sair.
A sequência de dias de buscas sem resultado a mantinha sob tensão constante, e o fato de não saber para onde direcionar os esforços começava a trazer uma leve ansiedade.
O interior do Hospital Orquídea era marcado por luxo extremo e privacidade absoluta. Os carpetes abafavam quase completamente os passos, e uma fragrância discreta pairava no ar, mas ainda assim havia uma sensação intangível de opressão no ambiente.
Ela caminhava devagar por um corredor interno que ligava o prédio principal ao anexo.
O corredor estava relativamente calmo. As paredes de mármore, polidas como espelhos dos dois lados, refletiam sua silhueta solitária e um tanto distante.
Os últimos raios do entardecer atravessavam os vidros blindados das janelas altas no fim do corredor, projetando feixes estreitos e fracos sobre o chão.
No instante em que se aproximava da saída e estava prestes a virar a esquina, risadas e conversas abafadas vieram da porta entreaberta da sala de descanso das enfermeiras.
— Ei, vocês viram aquela paciente da ala VIP hoje? Que espetáculo todo, não é?
— O próprio diretor do hospital acompanhou ela para fazer os exames!
— Vi sim, vi sim, é a Vivian, certo? Ouvi dizer que ela vem de uma família poderosíssima. Toda vez que aparece, o diretor atende pessoalmente. Todos os arquivos dela têm criptografia exclusiva, e nem a nossa enfermeira-chefe consegue acessar o prontuário principal.
— E não é só isso. Disseram que ela fica internada na suíte exclusiva do último andar, com corredor e elevador separados. Tirando o diretor e duas enfermeiras designadas, ninguém mais pode chegar perto. Que exagero... parece até coisa de filme.
— Dá até inveja... Isso sim é VIP dos VIPs, não? Queria saber de que família rica ela é esposa. Tão misteriosa... devem ter dinheiro sobrando e sem saber onde gastar.
— Quem sabe? De qualquer forma, enfermeirinhas como nós só têm que obedecer e trabalhar. Mas ela parecia meio abatida. Da última vez em que foi minha vez de levar a refeição personalizada, achei ela completamente sem energia, desanimada. Quando tentei conversar, ela nem deu atenção, só resmungou um “hum” e “deixa aí”, toda fria.
— Pois é, eu também notei isso. Morando na melhor suíte, usando os melhores recursos médicos, com o diretor perguntando como ela está todos os dias... por que estaria triste? Para que fazer aquela cara fechada?... Realmente não sabe valorizar a sorte que tem.
— Ah, também não podemos falar assim. Talvez ela só seja introvertida, ou esteja se sentindo mal? A gente não entende os problemas dos ricos.
Ao ouvir que Amália tinha um nome em inglês bonito e moderno, ela procurara escondida no dicionário por muito tempo e escolhera um para si mesma: Claire. Ficara cheia de alegria quando decidiu contar à família.
Mas o que aconteceu?
Ela se lembrava com clareza. Depois do jantar daquele dia, reuniu toda a coragem e, misturando expectativa e nervosismo, anunciou em voz baixa na sala de estar que também tinha escolhido um nome em inglês para si: Claire.
A frase nem havia terminado quando...
Henrique Oliveira zombou na mesma hora, soltando uma risada fina e cortante, como agulhas perfurando seus ouvidos:
— Claire?
— Você acha que merece ter um nome em inglês? Tentando imitar sem ter classe! Já olhou para quem você é? Acha mesmo que é como a Amália, que já estudou no exterior? Uma caipira querendo pagar de sofisticada... isso é ridículo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias