O olhar dele estava cheio de desprezo e de zombaria escancarada, como se ela tivesse cometido a maior tolice do mundo.
Daniela, que segurava uma fruteira, franziu a testa no mesmo instante. Largou a bandeja com força sobre a mesa de centro, com um baque seco, e acenou impacientemente com a mão, como se quisesse afastar algo sujo.
— Chega! Que história é essa de nome em inglês? Isso é esquisito e sem sentido!
— Em vez de perder tempo com isso, você devia aprender mais etiqueta e boas maneiras com a Amália. Olha o seu estado atual: nem sabe se sentar direito, mal consegue falar com clareza e ainda fica inventando essas inutilidades! Nunca mais toque nesse assunto!
Sua voz estava carregada de irritação, como se a própria existência de Aeliana fosse um erro constante que só criava problemas.
Enquanto isso, Gustavo não ergueu os olhos nem uma vez, do começo ao fim. Permaneceu focado no jornal de economia, como se a conversa na sala não tivesse absolutamente nada a ver com ele.
Ou talvez cada gesto daquela filha recém-encontrada não valesse sequer o mínimo de sua atenção.
Seu silêncio era ainda mais frio do que a zombaria de Henrique e as repreensões de Daniela; era uma negação completa da sua existência.
A vergonha e a frieza daquele momento ainda estavam vivas na memória de Aeliana.
Por isso, ela se lembrava com tanta clareza do nome em inglês de Amália.
Vivian... com status elevadíssimo, segurança máxima, atendimento pessoal do diretor e uma gestante deprimida...
Todas as pistas, que antes pareciam peças soltas, foram ligadas instantaneamente por aquele nome.
Um arrepio, como um choque elétrico, subiu por sua espinha.
Depois de procurar por tanto tempo e revirar tantos lugares... seria possível que... Amália estivesse realmente ali?
Aeliana se obrigou a manter a calma. Não correu para perguntar nada, nem demonstrou qualquer comportamento fora do normal.
Como qualquer outro médico passando por ali, apenas diminuiu ligeiramente o passo para ouvir com clareza aquelas frases cruciais e continuou caminhando com expressão perfeitamente normal, como se tivesse passado por acaso.
Na capa constava: Confidencialidade Máxima.
Aeliana sentiu um frio no estômago.
Não era de espantar que não tivesse conseguido encontrá-lo antes; o nível de segurança daquele arquivo era o mais alto possível.
Se não estivesse amparada pelo título prestigiado de discípula direta de Victor, somado à confiança que acumulou com as recomendações em cadeia do Sr. Almeida e do Hospital Nova Esperança, ela sequer teria permissão para visualizar esse tipo de documento.
Aeliana conteve a aceleração do próprio coração e enviou o pedido de acesso.
A espera foi excepcionalmente longa.
À tarde, a autorização finalmente chegou.

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