Por que agora, sendo chamado de caipira e tratado como um qualquer por Ricardo, trazendo toda aquela vergonha também para ela, a única coisa que ele conseguia fazer era encolher o pescoço, com cara de idiota?
Um sentimento amargo e inexplicável, misturado com ciúme e ressentimento, surgiu de repente em seu peito.
Por que isso? Aquela Selena Rabelo fragilizada, que qualquer vento derrubava e que só sabia atrapalhar a vida alheia, conseguia receber sua proteção e preocupação sem reservas?
Enquanto ela, Fabíola, a ilustre filha da família Saramago, sofrendo por culpa dele a humilhação nas mãos de um lixo como Ricardo, não ouvia um único pio da parte dele, que preferia bancar o bobo?
Será que, aos olhos dele, ela não era digna de ser defendida tanto quanto a esposa doente? Ou será que sua força era apenas mostrada para a esposa, tornando-se um verdadeiro covarde diante de pessoas de fora?
Essa raiva inexplicável e o sentimento de frustração fizeram Fabíola olhar para Narciso com ainda mais desprezo.
Mas, ao mesmo tempo, um pensamento muito mais forte e quase obsessivo surgiu em sua mente.
Ela queria descobrir se aquele medroso era de fato um covarde, ou se a sua valentia se reservava apenas à esposa doente.
Ela iria forçá-lo, da forma mais direta possível, a devolver com juros todas as humilhações que haviam suportado.
Fabíola desviou o olhar do rosto nojento de Ricardo, focando toda a sua energia em Narciso. Ergueu o queixo mais ainda, e seus olhos carregavam uma ordem absoluta de obediência, junto com um brilho cruel que ela mesma nem havia percebido.
— Narciso!
Ela chamou o nome dele, com a voz tão gelada que parecia feita de puro gelo:
— Você ficou surdo? Ou foram as palavras do Sr. Ricardo que amedrontaram você?
— Eu disse: quero que você vá agora mesmo! Imediatamente! Até aquela mesa! E ajude o Sr. Soberano a recuperar todas as fichas que ele perdeu, sem faltar um centavo! Vá agora!
Ela fez uma pausa. Seu olhar cortante como uma navalha passou pelo Sr. Ricardo, cujo rosto mudou de cor repentinamente, para depois voltar a focar em Jocelino. Seus lábios vermelhos se curvaram em um sorriso cheio de provocação e firmeza.
— Mas eu sou novato nisso, não posso garantir com cem por cento de certeza...
— Pare de enrolar!
Fabíola o interrompeu, lançando-lhe um olhar severo.
— Se eu mando você ir, você vai! Se vencer, eu cumpro a minha palavra. Se perder... a conta fica por minha conta!
O Sr. Ricardo, com o rosto verde de raiva, apontou o dedo para Fabíola:
— Você!
— Eu o quê?

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