Fabíola deu uma risada fria.
— O Sr. Ricardo não gosta de brincar? Não disse que eu trouxe gente para arruinar o seu esquema? Pois bem, agora eu vou usar o meu homem para jogar com você de forma justa e aberta!
— Que tal apostarmos em alto e baixo nos dados?
Vendo que Narciso ainda mantinha aquela expressão idiota e atônita, Fabíola gritou furiosa:
— Narciso, o que você está esperando? Vai lá!
Fabíola observou as costas dele enquanto ele recuava, encolhido. A raiva em seu peito não diminuiu nem um pouco; pelo contrário, a irritação só aumentou. “Seu inútil!”, pensou ela.
Ela xingou mentalmente, mas seu olhar continuou fixo na figura dele, recusando-se a desviar um milímetro sequer.
A essa altura, a única opção era continuar apostando. Apostar que aquele homem de aparência boba e covarde talvez... realmente pudesse lhe trazer uma pequena “surpresa”.
Os olhares de todos os presentes se concentraram em Jocelino.
O Sr. Soberano também ouviu a comoção e olhou para a direção deles, surpreso.
Jocelino começou a calcular rapidamente em sua mente.
O conflito entre Fabíola e esse Sr. Ricardo era a oportunidade perfeita para ser explorada.
Narciso cerrou os dentes, bateu o pé no chão com firmeza e exibiu uma expressão de sacrifício heroico.
Era tudo ou nada!
— Está bem! Sra. Saramago, eu... eu vou tentar! Mas não me culpe se eu perder!
Dizendo isso, ele caminhou em direção à mesa de dados como se estivesse marchando para a própria execução.
Ricardo observou a postura covarde de Jocelino, soltou um riso de desdém e disse com um tom sombrio:
— Bia, esse “ajudante” que você arrumou não vai acabar perdendo até as calças, sobrando para a Srta. Saramago ter que limpar a sujeira dele depois?
Fabíola nem se deu ao trabalho de olhar para ele, apenas espremeu uma palavra por entre os dentes:
— Suma.
O rosto de Ricardo escureceu. Sem dizer mais nada, ele caminhou até o crupiê e lhe lançou um olhar significativo. O crupiê assentiu de forma quase imperceptível.
A essa altura, o Sr. Soberano finalmente começou a entender o que estava acontecendo.
— Porra!
Quanto mais pensava naquilo, mais irritado o Sr. Soberano ficava. Seu rosto passou de vermelho para escuro, e de escuro para roxo. Ele deu um tapa forte na própria coxa e apontou diretamente para Ricardo.
— Ricardo! Você está querendo morrer, caralho?! Teve a audácia de me trapacear?!
Sua voz era estrondosa e seus movimentos bruscos, o que assustou os espectadores ao redor, fazendo com que todos se afastassem rapidamente.
Pelo canto do olho, Fabíola notou que o rosto do Sr. Soberano estava cada vez mais sombrio. Seu peito subia e descia como um fole, e os punhos estalavam de tão apertados. Estava prestes a explodir.
“Tsc!”
Fabíola praguejou em pensamento.
“Que brutamontes! Só sabe resolver as coisas na porrada!”
Ela conhecia muito bem as pessoas do tipo do Sr. Soberano: diretas, de pavio curto e fáceis de provocar. Geralmente, ele agia com arrogância porque tinha certa influência, mas no território da família Porto, se as coisas partissem para a violência, quem sairia perdendo seria ele mesmo.
Era exatamente isso que Ricardo queria. Ele se aproveitaria do tumulto para aumentar a confusão. No fim das contas, não importaria quem estava certo ou errado; brigar no cassino da família Porto deixaria o Sr. Soberano sem razão alguma, e ele ainda poderia ser responsabilizado pela própria família Porto.

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