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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1416

Dito isso, ele caminhou até Narciso e sua mão enorme como um leque bateu com força no ombro do outro, sem dar chance de recusa, fazendo o corpo de Narciso balançar de um lado para o outro.

— Meu chapa! Ainda bem que você estava aqui agora há pouco, senão eu teria perdido até as calças para aqueles dois pilantras!

— Puta merda, agora eu entendi tudo, Ricardo e aquele crupiê de merda estavam mancomunados! Se juntaram para me ferrar!

Narciso pareceu ficar ainda mais desorientado com a repentina intimidade do Sr. Soberano, encolhendo-se com uma careta de dor.

— Ah? É, é mesmo?

— Eu só estava jogando de brincadeira agora há pouco...

— Não me importa se foi brincadeira ou se foi sério, o que importa é que você ajudou a mim, o Sr. Soberano!

O Sr. Soberano o interrompeu, acenando com a mão de forma categórica. Ele primeiro lançou um olhar mortal para Ricardo, que estava não muito longe, e depois se virou, fixando o olhar em Jocelino com uma intensidade feroz.

— Meu chapa, se você é homem de verdade, não se acovarde! Desta vez, ajude o Sr. Soberano mais uma vez! Não importa o truque que eles tentem, você vai com tudo! Vai recuperar cada centavo que eu perdi agora há pouco!

— Deixo minha palavra aqui! Se você conseguir me ajudar a recuperar meu orgulho, de hoje em diante, você será um irmão de sangue para mim!

— Neste pedaço de chão da Vila das Nuvens Cinzentas, quem ousar tocar em você vai estar comprando briga comigo, Sr. Soberano! Se tiver algum problema, é só usar o meu nome!

Um brilho de surpresa passou pelos olhos de Jocelino.

Ele já tinha ouvido falar desse Sr. Soberano.

O Sr. Soberano, cujo nome verdadeiro era Raimundo, era o segundo em comando na “Assembleia das Máquinas Silenciosas”, uma facção do submundo da Vila das Nuvens Cinzentas que rivalizava diretamente com a “Thelxinoe do Litoral”.

O homem tinha um temperamento explosivo, mas era leal, possuindo grande prestígio dentro da gangue e sendo o braço direito do líder da Assembleia das Máquinas Silenciosas, Ziraldo Lourenço, conhecido como “Tigre Branco”.

— Se ganhar, nós nos tornamos irmãos para a vida toda! Se perder... eu não vou te culpar! Pra cima deles!

Jocelino tropeçou com o empurrão e, ao se estabilizar, olhou para a mesa de apostas verde à sua frente, para o crupiê sem expressão e para Ricardo, que o observava como um predador.

Ele respirou fundo.

— Sr. Soberano! Já que o senhor confia tanto em mim, eu não seria homem se continuasse dando desculpas!

— O Sr. Ricardo e os outros... eles foram longe demais! Trapaceando para prejudicar os outros! Já que o Sr. Soberano falou assim, hoje eu vou dar tudo de mim para conseguir justiça para o senhor!

O Sr. Soberano claramente gostou do que ouviu.

Ele vivia no mundo do crime e valorizava a “lealdade” acima de tudo. Ao ouvir aquelas palavras “sinceras” de Narciso, e contrastando com a natureza traiçoeira de Ricardo, ele imediatamente sentiu que aquele “camarada”, embora parecesse um covarde, era leal nos momentos cruciais e valia a pena ter como amigo.

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