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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1415

E ela, finalmente, poderia enxergar com clareza se aquele tal “Narciso” era uma joia coberta de poeira ou apenas uma pedra com um pingo de sorte.

Além disso, fazer o Sr. Soberano lhe dever um favor era uma situação em que todos saíam ganhando, então por que não?

— Sr. Soberano~

Fabíola inclinou-se levemente para frente, olhando diretamente nos olhos ainda furiosos do Sr. Soberano, com uma voz baixa e carregada de uma certeza sedutora.

— Confie em mim desta vez. Eu, Fabíola, posso até ser caprichosa às vezes, mas nunca brinco com a minha própria reputação quando se trata de avaliar pessoas.

Fabíola sorriu e olhou para Narciso.

— Esse cara... não se deixe enganar por essa cara de covarde que ele tem agora, ele tem algo de sinistro.

— Agora há pouco, na mesa de vinte e um, você acha que Ricardo e aquele crupiê não estavam trapaceando? Mas qual foi o resultado? Ele não bagunçou o esquema deles mesmo assim e ainda fez você ganhar umas rodadas altas, recuperando boa parte das fichas?

Ela observou a expressão do Sr. Soberano e, vendo que a raiva em seus olhos diminuía um pouco, aproveitou a deixa para insistir.

— Numa mesa de apostas, às vezes, quando a sorte bate ou quando alguém “sinistro” entra no jogo, isso funciona melhor do que qualquer truque sujo. Ricardo e a equipe dele acharam que, controlando as cartas, iriam ganhar, mas sempre aparece alguém que joga fora do padrão e estraga os planos deles.

Percebendo que o Sr. Soberano já estava um pouco convencido, mas ainda hesitava, ela lançou a isca final.

— Além do mais, Sr. Soberano, pense bem: você já perdeu a maior parte das suas fichas. Quem está na chuva é para se molhar; do que mais você tem medo?

— Deixe ele tentar! Se ganhar, a gente sai por cima e dá um belo tapa na cara do Ricardo! Se perder...

Ela arrastou as palavras e, em seguida, bateu o martelo de forma decisiva.

— Eu cubro todo o prejuízo!

O mais importante era que aquele cachorro do Ricardo o havia enganado. Ele simplesmente não conseguia engolir esse desaforo. Se pudesse recuperar o que perdeu com juros e correção, e ainda esfregar isso na cara de Ricardo no meio da mesa de apostas, na frente de todos... isso seria muito mais prazeroso do que apenas dar uma surra nele. E a humilhação seria muito maior.

Quanto àquele tal Narciso... O Sr. Soberano lançou outro olhar para a figura acovardada que encarava o copo de dados com expressão preocupada.

Que seja, não custava nada tentar. Fabíola disse que ele era sinistro, e ele realmente teve umas rodadas esquisitas no vinte e um agora há pouco. E se... e se esse moleque fosse a porra do ponto fraco de Ricardo?

Ao pensar nisso, a hesitação e a indignação no coração do Sr. Soberano desapareceram completamente.

Adotou a mentalidade de “vamos ver no que dá” e esperou para assistir ao vexame de Ricardo.

O Sr. Soberano respirou fundo, conteve o resto da raiva com esforço, virou-se para Fabíola e falou com a voz grossa:

— Fechado! Sra. Saramago, hoje eu vou confiar em você! E vou dar um voto de confiança para esse garoto!

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