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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1418

Originalmente, apostando em alto ou baixo, ele tinha a vitória praticamente garantida. Mas mudando para adivinhar a soma exata e comparar a proximidade, as variáveis aumentavam drasticamente.

E se esse caipira acertasse por pura sorte...

— O que foi? O Sr. Ricardo não tem coragem?

Jocelino notou a hesitação dele e falou no momento certo, com um tom que carregava uma provocação sob medida.

— Ou será... que o Sr. Ricardo acha que jogar desse jeito dificultaria o trabalho em equipe com o crupiê?

Ele pronunciou as últimas palavras de forma leve, mas a expressão “trabalho em equipe” agiu como uma agulha que picou de leve.

Considerando a armação óbvia no jogo de vinte e um anterior e a fúria do Sr. Soberano, todos entenderam as entrelinhas.

O rosto de Ricardo ficou pálido num instante e ele bateu com força na mesa:

— Vai falar merda pra lá! Que baboseira é essa? Quem disse que eu não tenho coragem?

— Caipira, não venha cuspir mentiras em cima de mim!

— Eu ando na linha e jogo limpo!

— Que bom, então não há problema.

Jocelino respondeu imediatamente, e seu rosto recuperou um pouco daquela expressão de ingenuidade, como se a provocação de momentos antes não tivesse vindo dele.

— Eu só achei que jogar assim seria mais justo e mais... divertido. Se o Sr. Ricardo acha que não tem problema, então jogamos assim?

Com essa fala, ele devolveu a batata quente, fazendo parecer que tinha apenas sugerido algo “divertido”, e que o agressivo da história era Ricardo.

Ricardo se viu sem saída.

É claro que ele não queria aceitar, mas, se recusasse, não estaria confirmando que tinha culpa no cartório e medo de uma disputa justa? Tantos olhos estavam sobre ele, especialmente o olhar furioso do Sr. Soberano, que parecia querer devorá-lo vivo.

Ele fuzilou Jocelino com os olhos e lançou um rápido olhar para o crupiê. O crupiê deu um aceno afirmativo, quase imperceptível.

Ricardo respirou fundo, suprimiu a raiva com esforço e forçou um sorriso torto:

Tlec, tlec, tlec...

Tlec, tlec, tlec.

Desta vez, o crupiê balançou por mais tempo e com mais força. O som das colisões dos dados tornou-se mais denso e caótico, como se quisesse triturar todas as possibilidades lá dentro.

Ricardo fixou o olhar no copo, inclinando levemente o corpo para frente, parecendo se esforçar para escutar e julgar. Os capangas atrás dele também prenderam a respiração.

O Sr. Soberano cerrou os punhos e um suor fino brotou em sua testa.

Fabíola desfez os braços cruzados, esfregando os dedos inconscientemente nas mangas, enquanto não tirava os olhos de Jocelino nem por um segundo.

E Jocelino, desde o primeiro movimento do copo, fechou os olhos lentamente.

Sua cabeça inclinou-se sutilmente na direção do som, e o vinco de suas sobrancelhas se franziu de forma quase imperceptível. Toda a sua atenção parecia estar concentrada em seus ouvidos.

Todo o barulho, os olhares e as discussões externas pareciam ter se afastado dele; em seu mundo, restava apenas o som sutil das três peças girando em alta velocidade, colidindo e caindo dentro do copo de dados.

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