— Hehe, agora a coisa ficou interessante.
Os espectadores, que acompanhavam a cena com curiosidade, alternavam seus olhares entre o rosto pálido de raiva de Ricardo e a expressão “inocente” de Jocelino, sussurrando entre si.
— Dessa vez o Sr. Ricardo se deu mal.
— Achávamos que era vitória na certa, quem diria que apareceria alguém se fazendo de bobo para enganar todo mundo.
O companheiro dele também comentou com um sorriso maldoso:
— Não é mesmo? Olha a cara dele, está mais escura que o fundo de uma panela.
— Ele até deixou o outro adivinhar primeiro, claramente querendo manipular o resultado, mas quem diria...
Ao chegar nessa parte, ele deu uma risada irônica.
— O Sr. Ricardo provavelmente nunca imaginou que esse Sr. Porto, que parece tão comum, tivesse uma audição tão boa. Foi um tapa na cara que estalou alto!
O sorriso presunçoso no rosto de Ricardo congelou instantaneamente. Seus olhos se arregalaram, fixos naqueles três dados, como se estivesse vendo algo inacreditável.
Ele levantou a cabeça bruscamente, encarando o crupiê com um olhar cheio de choque e questionamento.
A expressão impenetrável do crupiê finalmente mostrou uma rachadura, e um lampejo de surpresa e incredulidade também cruzou seus olhos.
Como isso era possível?
O crupiê se considerava um dos melhores do cassino da família Porto. Mesmo ele, que controlava a mesa, não ousava dizer que conseguiria adivinhar com cem por cento de precisão os pontos exatos que ele mesmo lançava, conseguindo apenas controlar uma margem aproximada.
Aquele Sr. Porto parecia apenas um caipira sem experiência, um novo-rico que teve um pouco de sorte. Aquela expressão de nervosismo e confusão de antes não parecia fingimento...
Mas como os ouvidos dele podiam ser tão afiados?
Será que foi apenas pura sorte novamente, como um cego que acerta o alvo?
Mas uma vez é sorte, e duas ou três vezes?
Lembrando-se das vezes na mesa de blackjack em que aquele homem havia bagunçado a partida “por acidente”...
— Eu estava preocupado antes, quem diria que você tinha essa carta na manga! Se fingindo de inocente para dar o bote, você joga muito bem!
Ele se aproximou um pouco mais e piscou um olho:
— Eu sabia! Desde o começo, eu já tinha percebido que você, garoto, tem talento! Não é uma pessoa qualquer!
Agora, quanto mais o Sr. Soberano olhava para “Narciso”, mais simpatizava com ele.
Antes achava que ele era covarde, agora achava que era “sábio se fazendo de tolo”; antes achava que era apenas sorte, agora via como um talento oculto.
Conseguir fazer um sujeito traiçoeiro como Ricardo de bobo, vencer de forma tão brilhante e ainda vingá-lo, isso sim era ter capacidade. Esse era o amigo do Soberano.
— Muito bom! Trabalho excelente!
O Sr. Soberano deu um tapa forte nas costas de Jocelino, fazendo-o tossir duas vezes.
— Ricardo, não fique aí parado, traga as fichas! Rápido! Não me faça repetir!

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