Jocelino estava um tanto constrangido, acenando freneticamente com as mãos enquanto coçava a nuca com um jeito ingênuo.
— O senhor é gentil demais, Sr. Soberano. Eu... eu só dei sorte de principiante. Fico imensamente feliz por ter conseguido ajudar.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— Além disso, aquele Sr. Ricardo passou de todos os limites. Trapacear e ainda agir com tamanha arrogância... qualquer um que visse aquilo não conseguiria ficar calado.
Sr. Soberano soltou uma gargalhada estrondosa e deu um tapinha vigoroso no ombro dele.
— Bom rapaz! Gosto de pessoas honestas assim! Você é dos meus!
Após terminar de falar com Jocelino, Sr. Soberano acenou para Fabíola.
— Considerem o que aconteceu hoje como uma dívida de gratidão que o Sr. Soberano tem com vocês! Se precisarem de mim no futuro, é só pedir!
— Vamos, hoje é por minha conta! — continuou Sr. Soberano. — Vamos mudar de ares, beber alguma coisa boa e espantar essa má sorte!
Jocelino concordou com um sorriso, mas seu olhar naturalmente se voltou para Fabíola.
— Sra. Saramago, agora que o Sr. Ricardo foi embora, sobre aquele assunto do canal de fornecimento que conversamos...
— Ainda está de pé?
Fabíola levantou os olhos para encará-lo.
Depois da sucessão de eventos daquela noite, sua visão sobre “Narciso” havia mudado drasticamente.
Aquele homem definitivamente não era tão simples quanto parecia.
Ela ajeitou as mangas da roupa e deu um sorriso de canto.
— Fique tranquilo, Sr. Porto. Eu, Fabíola, sou uma mulher de palavra. Hoje, você não apenas ajudou o Sr. Soberano, mas também me fez um grande favor.
Ela lançou um olhar gélido e significativo na direção por onde Ricardo havia saído.
— Ricardo não teve competência e fugiu porque não sabe perder. O problema é dele, você não tem culpa. Os recursos e contatos que prometi continuam garantidos. Não volto atrás na minha palavra só porque um canalha tentou estragar tudo.
— E não só isso...
O sorriso de Fabíola tornou-se enigmático.
O veículo deslizou suavemente para a garagem subterrânea, onde dezenas de carros de luxo de altíssimo padrão repousavam sob uma iluminação suave.
Pegaram o elevador privativo direto para a cobertura. As portas se abriram silenciosamente.
Um corredor forrado com um espesso carpete de caxemira cinza-escuro surgiu diante deles, abafando qualquer som de passos.
Um funcionário já os aguardava na porta do elevador, vestindo um uniforme preto impecavelmente alinhado. Ao ver Fabíola, curvou-se levemente.
— Senhorita.
Fabíola assentiu com elegância.
Jocelino a seguia de perto, mantendo a cabeça ligeiramente baixa e observando tudo ao seu redor com discrição.
A porta da sala de visitas foi aberta.
Jocelino entrou no ambiente.
A primeira coisa que chamou sua atenção foram as imensas janelas panorâmicas que cobriam praticamente toda a parede.

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