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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1424

— A conta de hoje, eu, Ricardo, vou cobrar depois. Espero que você volte e explique direitinho ao Sr. Saramago como você ajudou estranhos a envergonhar a sua possível futura família aqui no Cassino Safira Azul.

— Tomara que o Sr. Saramago não a faça se arrepender da decisão que tomou hoje, quando descobrir esses seus grandes feitos.

Fabíola observava friamente o rosto de Ricardo, que normalmente tentava manter uma postura elegante, agora se contorcendo de raiva, parecendo quase monstruoso sob as luzes tremeluzentes.

Os olhos por trás dos óculos de aros dourados se transformaram em duas fendas, emitindo um brilho frio e venenoso, como uma cobra escondida nas sombras, pronta para dar o bote.

Depois de dizer isso, Ricardo não hesitou. Virou as costas e foi embora, sem sequer olhar novamente para Fabíola.

Era como se apenas olhar para ela já lhe causasse nojo. Ele saiu marchando a passos largos, sem olhar para trás, a própria postura exalando uma fúria incontrolável.

Fabíola permaneceu onde estava, a luz brincando com as expressões em seu rosto, deixando-o num misto de luz e sombra.

As palavras de Ricardo eram como um veneno gelado tentando se infiltrar em sua pele. Ela apertou os lábios vermelhos, o maxilar tenso. O olhar que acompanhou a partida de Ricardo não tinha medo, mas sim um tédio profundo e sarcasmo.

Futura família?

Ele se achava digno disso?

O que Fabíola decidisse fazer não dependia da opinião de ninguém, e muito menos das ameaças vazias de alguém como Ricardo.

O crupiê, já aproveitando a deixa, juntou as coisas de fininho e saiu de cena silenciosamente.

Os curiosos ao redor também começaram a se dispersar quando viram que a confusão acabara, mas os cochichos não pararam. Os olhares que seguiram a direção para a qual Ricardo saiu estavam cheios de interesse e repulsa.

Depois do show daquele dia, a reputação do Sr. Ricardo tinha ido por água abaixo.

Sr. Soberano olhou para a pilha de fichas pagas em dobro à sua frente e não se sentiu nem um pouco satisfeito; a raiva apenas se acumulou ainda mais.

— Meu jovem! Eu te devo muito hoje!

A voz dele soava forte e imponente, com a franqueza típica das ruas:

— Se não fosse por você, eu ia continuar sendo feito de palhaço por aquele maldito do Ricardo. Perdi dinheiro, mas o pior era ter que engolir tanto desaforo quieto!

— A sua atitude não só me ajudou a recuperar o que eu tinha perdido, como também lavou a minha alma dessa raiva!

— Eu sou um sujeito bruto e não sei muito bem como falar, mas, a partir de hoje, você é como um irmão de sangue para mim! Aqui na Vila das Nuvens Cinzentas, se precisar de qualquer coisa, pode usar o meu nome!

Em seguida, ele se virou para Fabíola. O tom, embora não fosse tão afetuoso quanto com Jocelino, tinha perdido completamente o desprezo habitual.

— Sra. Saramago, muito obrigado também por me defender hoje! Eu não vou me esquecer desse favor!

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