— Jocelino, nós não podemos viver para sempre na sombra daquele fracasso. Desta vez, vamos juntos tirá-lo do escuro, está bem?
Jocelino, sendo abraçado por ela, sentindo o calor e o toque suave de suas mãos, e ouvindo suas palavras lógicas e cheias de consolo, sentiu a corda que estava tensionada devido à derrota na fronteira e à extrema preocupação com a segurança dela se afrouxar aos poucos.
Ele teve que admitir que Aeliana tinha razão.
O medo nasce do desconhecido e de derrotas passadas, mas fugir o tempo todo só deixaria o inimigo mais arrogante.
Na verdade, mesmo que Aeliana não tivesse dito nada, Jocelino sabia que, desde que chegara à Vila das Nuvens Cinzentas, sua mentalidade havia sido afetada.
Ele queria tanto pegar aquele homem misterioso, queria tanto virar o jogo, que acabou perdendo a calma e a estabilidade que sempre o caracterizaram.
Mas, ao lidar com um homem tão traiçoeiro e ardiloso, não manter a calma apenas faria com que fosse levado para o buraco pelo adversário.
Jocelino respirou fundo, ergueu a mão para cobrir a mão de Aeliana, que ainda segurava seu rosto, e a apertou firmemente na sua.
Ele olhou nos olhos claros e decididos dela e assentiu devagar.
Contudo, embora Aeliana tivesse razão, ele ainda não conseguia superar o bloqueio em seu coração.
Não era apenas o receio em relação ao homem misterioso; o principal era que ele não queria que Aeliana se arriscasse.
Mesmo que houvesse apenas um por cento de chance de dar errado, ele não suportava sequer imaginar.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos; apenas o ruído distante da cidade entrava pela janela. Jocelino finalmente suspirou, esfregou a testa com uma mão e, com a outra, apertou ainda mais a mão de Aeliana.
— Você tem razão. A oportunidade está diante de nós agora, não devemos ficar tão hesitantes e cheios de ressalvas.
A expressão de Aeliana relaxou um pouco, mas então Jocelino mudou o tom.
— Porém, o risco dessa operação... é grande demais.
— Eu não posso concordar de cara e deixar você ir assim. Mas... nós podemos discutir isso com calma, analisar se esse plano é realmente viável e, depois, tomar uma decisão. O que me diz?
Aeliana olhou para o cenho franzido dele e para a preocupação inconfundível em seus olhos, sentindo o coração aquecer. Ela sabia que essa já era a maior concessão que ele poderia fazer.
— Alô? Sra. Saramago?
Do outro lado da linha, a voz de Fabíola havia perdido toda a arrogância do dia anterior, soando extremamente suave.
— Sr. Porto, sou eu, Fabíola.
— Peço desculpas por incomodá-lo tão cedo.
— Posso ajudá-la em algo, Sra. Saramago? — O tom de Jocelino continuava neutro, sem demonstrar qualquer emoção.
— Sr. Porto, liguei especialmente para pedir desculpas em nome do meu irmão e em meu próprio nome.
Jocelino ergueu as sobrancelhas, demonstrando surpresa:
— Sra. Saramago, o que quer dizer com isso?

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