— Ontem o meu irmão foi muito precipitado. Sem entender a situação, ele disse coisas horríveis e acusou o Sr. Porto injustamente. Quando voltei ontem à noite, já dei uma bronca nele, e ele reconheceu que errou.
— Sr. Porto, em nome de termos nos conhecido e da minha verdadeira intenção de ser sua amiga, por favor, não leve isso para o coração, tudo bem?
Fabíola desacelerou o ritmo da fala, e sua voz através do telefone soou suave e carregada de uma sedução cativante.
— E quanto àquelas fontes de abastecimento e conexões que eu prometi antes...
— Palavra dada é palavra cumprida. Já que prometi ajudá-lo a abrir as portas no mercado da Vila das Nuvens Cinzentas, eu cumprirei a minha promessa.
— Tudo o que prometi, não falharei em nenhum detalhe.
— Nós, da família Saramago, somos pessoas de palavra, nunca enganamos ninguém.
Jocelino deu uma risada fria internamente. A família Saramago nunca engana ninguém?
Então tudo o que Edivaldo disse a ele antes foi só jogando conversa fora?
Aquela gente realmente achava que ele era um alvo fácil, pensando que bastavam algumas palavras doces para que o assunto fosse esquecido.
Jocelino retrucou no telefone com um tom carregado de ironia:
— A senhora está exagerando, Sra. Saramago. Como eu ousaria aceitar suas desculpas?
— O Sr. Saramago foi muito claro ontem. Essas promessas que a senhora tem a coragem de oferecer, eu não tenho a coragem de aceitar agora.
— Afinal, por mais sem noção que eu seja, não vou procurar sarna para me coçar.
— Vai que um dia eu acabe desagradando o Sr. Saramago de novo e receba outro rótulo de “alguém com segundas intenções”. Eu não daria conta do recado.
— A família Saramago de vocês está muito acima do que eu posso alcançar.
As palavras de Jocelino foram como facadas frias, ditas sem pressa, mas atingindo o coração de Fabíola em cheio.
Parecia que a discussão daquele dia tinha irritado Narciso profundamente.
Houve um silêncio de alguns segundos na linha.
Ainda mais considerando que esse Narciso parecia ser a pessoa mais ambiciosa possível.
Talvez ele só estivesse fazendo charme agora, usando a briga daquele dia como desculpa para se fazer de difícil.
A firmeza de Narciso acabou despertando em Fabíola uma indignação ainda mais forte e um desejo de conquista.
Ela respirou fundo, forçou-se a conter as emoções que fervilhavam em seu peito e fez sua voz soar o mais estável possível.
— Sr. Porto...
— Então o que você quer que eu faça para perdoar o meu irmão e a nossa família Saramago por essa falta de educação?
Sabendo que estava errada na história, Fabíola baixou a guarda. Ela escondeu sua arrogância típica de mulher rica e adotou um tom ainda mais suave, mostrando-se vulnerável para Jocelino.
— Basta você dizer. Se estiver ao meu alcance, eu farei o possível.
Ao perceber que Jocelino continuava em silêncio, Fabíola também se sentiu um pouco magoada.

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