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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1450

Ela mordeu o lábio inferior, decidindo tentar uma abordagem diferente.

Dizem que os homens cedem à doçura e não à força, especialmente os mais capazes. Vendo o jeito habitual de Narciso, talvez ele fosse mais suscetível à vulnerabilidade de uma mulher?

— Sr. Porto... — Fabíola chamou Jocelino suavemente, alongando o final da frase com uma doçura irresistível.

— Diga alguma coisa, por favor... Você me ignorando assim só faz meu coração doer ainda mais.

— Eu realmente... realmente quero ser sua amiga. Tudo o que prometi foi de coração, sem a menor falsidade.

— Mas eu também não imaginava que o meu irmão... que ele seria tão irracional ontem, dizendo coisas tão horríveis.

Fabíola habilmente se isentou, jogando toda a responsabilidade para Edivaldo, criando a imagem de uma mulher frágil, presa no meio de um conflito.

— Você não sabe, mas quando voltei ontem, eu briguei muito com ele!

— Meu irmão tem esse gênio difícil, às vezes é muito desconfiado e fala sem pensar. Mas ele não tem nada contra você, é só que a pressão sobre ele tem sido enorme ultimamente... Sr. Porto, por favor, faça isso por mim e não leve a mal o que ele disse, está bem?

Do outro lado da linha, o rosto de Jocelino permanecia inexpressivo, e seu tom continuou frio.

— A Sra. Saramago está exagerando. Como eu ousaria levar a mal algo vindo do Sr. Saramago?

— Muito menos falar em perdão ou falta dele.

— Quanto à senhora... — Jocelino fez uma pausa, a voz calma, mas aumentando ainda mais a distância entre os dois, transparecendo um distanciamento claro. — A Sra. Saramago não fez nada de errado, não há necessidade de se rebaixar tanto para me dar explicações por causa dos problemas do seu irmão.

— Agradeço a sua boa intenção.

— Eu vim para a Vila das Nuvens Cinzentas sem grandes ambições; na verdade, só queria fazer alguns pequenos negócios e passar mais tempo com a minha esposa.

— Já que os negócios não deram certo, vou apenas aproveitar para cuidar dela.

— A senhora nem imagina, mas, só porque saí com você por um tempo há alguns dias e não pude dar atenção à minha esposa, a imunidade dela caiu e ela adoeceu de novo. Isso partiu o meu coração.

— Então, nos próximos tempos, vou me dedicar a fazer companhia a ela.

Ela respirou fundo, com a determinação de quem queima as próprias pontes.

— Sr. Porto...

Fabíola alongou a última sílaba de forma proposital e sedutora, abrindo levemente os lábios vermelhos. Sua voz não carregava mais aquela mágoa suave de antes, mas sim um tom rouco e envolvente.

Sua voz tinha uma sedução espessa como mel; cada palavra parecia uma pluma roçando suavemente os tímpanos do ouvinte, carregada de uma intimidade subentendida.

— Eu entendo as suas preocupações.

— Ficar apenas nas palavras realmente faz parecer que a nossa família Saramago... não tem sinceridade alguma.

— Que tal o seguinte: e se eu te convidar oficialmente agora para trabalhar no nosso Grupo Saramago?

— Pode ficar tranquilo, você não precisará bater ponto nem cumprir horário. Basta aceitar o título de consultor especial. Só a sua presença já mostrará que somos uma família. Quando esse dia chegar, qualquer negócio que você quiser fazer ou qualquer ajuda que precisar, será apenas questão de pedir. Todos os recursos do Grupo Saramago estarão à sua disposição.

Fabíola deu uma risadinha leve, um som suave que deixava margem para infinitas imaginações. O tom era cheio de insinuações, como uma víbora deslumbrante sibilando, seduzindo a presa a entrar em seu território.

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