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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1484

E havia também seus pais... Gustavo Oliveira e Daniela Almeida. Embora fossem elitistas e presos às aparências, foram eles que a criaram por mais de vinte anos, oferecendo-lhe uma vida de fartura, luxo e o título de filha da família Oliveira.

E então, ela simplesmente foi embora com o “pai biológico”, deixando para trás um caos completo...

Será que eles... a odiavam até a alma?

Provavelmente sim.

Afinal, aos olhos de todos, Amália não passava de uma víbora ingrata, alguém que pagava o bem com o mal e destruía as famílias que a acolheram.

Uma pontada aguda atravessou seu coração, sufocando-a ainda mais do que o próprio pesadelo.

Sem perceber, Amália fechou o punho em torno do talher, a ponto de os nós dos dedos ficarem brancos.

— ... Patroa? Senhora?

A voz apreensiva de “Telma” puxou Amália de volta para fora do redemoinho dos próprios pensamentos.

Amália piscou, sobressaltada, e percebeu que estava fazia tempo encarando o macarrão na tigela. Tentou forçar um sorriso para disfarçar, mas tudo o que conseguiu foi uma expressão amarga, mais dolorosa de ver do que um choro.

Uma tristeza inexplicável e uma sensação profunda de solidão inundaram seu interior, fazendo com que o sabor delicioso da sopa virasse pó em sua boca.

Ela baixou a cabeça de novo, mastigando mecanicamente. O gosto apurado que havia sentido antes agora parecia papel.

“Telma” observou Amália por um momento. Ao ver a patroa fitando a tigela com uma expressão instável e silenciosa por tanto tempo, entendeu perfeitamente o que se passava. Ainda assim, manteve a máscara de fragilidade assustada.

Esfregou os dedos de nervoso e, reunindo coragem, perguntou timidamente:

— Patroa... p-por que a senhora também ainda está acordada a essa hora?

— Será que o bebê está mexendo muito e tirando o seu sono?

— Pela sua cara... a senhora não parece nada bem.

Aquela voz trouxe Amália completamente de volta à realidade, fazendo-a notar que a sopa já estava esfriando. Ela largou os talheres, sem apetite.

Amália recostou-se no encosto frio da cadeira. Observando através da janela o breu absoluto da noite, sentiu o peito ganhar o peso de uma âncora, apertando-lhe a respiração.

— Abençoada?

— De que adianta morar na maior casa de todas, comer do bom e do melhor, se você não tem absolutamente ninguém ao seu lado com quem possa conversar de verdade? Que bênção é essa?

Aquilo parecia estar sendo dito a “Telma”, mas soava mais como um desabafo feito para si mesma.

Com perfeição, “Telma” armou uma expressão confusa e inclinou-se um pouco para a frente:

— Como assim, não?

— A dona Sofia me contou que o patrão mima e paparica muito a senhora.

Então “Telma” murmurou, quase resmungando:

— Mas pensando bem, isso é mesmo muito estranho. Já faz tanto tempo que eu trabalho aqui, mas nunca vi ele.

— E a barriga da senhora já está tão grande, o bebê está quase chegando. Como pode não ter ninguém fazendo companhia pra senhora?

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