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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1491

— Agora, qual de vocês quer me explicar qual é o faturamento mensal do Cassino Noite de Cristal? Qual é o lucro líquido? Onde estão concentrados os maiores gastos? E por que os clientes estão todos correndo para o Cassino Estrela de Ouro, aqui ao lado?

Eles trocaram olhares, sem que ninguém tivesse coragem de ser o primeiro a abrir a boca.

Um gerente, que parecia ser o mais experiente, tomou coragem e deu um passo à frente, gaguejando uma resposta evasiva que não passava das desculpas de sempre.

Falou que a economia estava ruim, que a concorrência era forte, que o perfil dos clientes havia mudado...

Jocelino ouviu até o fim, sem interrompê-lo. Depois começou a falar com uma calma calculada:

— Se a economia está ruim, por que o Cassino Estrela de Ouro, aqui do lado, vive cheio?

— Se a concorrência é forte, por que as nossas taxas são maiores do que as dos outros e o serviço nem sequer acompanha?

— E, se as preferências dos clientes mudaram, por que nós nem conseguimos garantir o mínimo, como limpeza e segurança?

— Fiquei sabendo que, no mês passado, um trapaceiro agiu aqui dentro e quase fez os clientes quebrarem o lugar inteiro. No fim, a família Saramago teve que intervir para abafar o caso. Isso é verdade?

A cada pergunta que ele fazia, os rostos dos funcionários perdiam ainda mais a cor.

É claro que eles sabiam de tudo isso. Mas, como a família Saramago raramente se importava com aquele cassino que só dava prejuízo, todos se acostumaram a empurrar as coisas com a barriga, vivendo um dia de cada vez.

Nunca imaginaram que o novo chefe chegaria e, com meia dúzia de perguntas, arrancaria todas as feridas podres para fora.

Ao ver que ninguém se atrevia a responder, Jocelino perdeu a paciência para prolongar aquele sermão.

Ele já não esperava arrancar nenhuma verdade da boca daquelas raposas velhas. Se os chamou ali hoje, foi primeiro para estabelecer autoridade e, segundo, para medir o terreno.

— Chega. Podem sair. Voltem ao que estavam fazendo.

Ele acenou com a mão, como quem espanta moscas.

O pior de tudo era que a família Porto claramente não pretendia dar ao Noite de Cristal nenhuma chance de reação. Além da concorrência agressiva na superfície, provavelmente também armavam inúmeras ciladas nos bastidores.

Isso explicava por que os funcionários do Cassino Noite de Cristal eram tão preguiçosos e negligentes.

Num ambiente reprimido por tanto tempo, sem qualquer perspectiva de futuro, o moral já tinha desabado. Quem se preocuparia em fazer alguma coisa direito?

No fim das contas, não importava qual chefe assumisse; o desfecho parecia sempre o mesmo. Então por que se esforçar?

E o fato de Fabíola ter lhe entregado generosamente aquele problema insolúvel só deixava ainda mais claro que suas intenções eram, no mínimo, ardilosas.

Se olhasse pelo lado positivo, talvez fosse uma aposta desesperada. Se esse “Narciso Porto”, com seu jeito aparentemente peculiar, realmente conseguisse fazer um milagre e trazer o Cassino Noite de Cristal de volta à vida, isso seria um tapa na cara da família Porto em seu próprio território. A família Saramago recuperaria parte do terreno perdido e ainda ganharia prestígio.

Se olhasse pelo lado negativo, mesmo que “Narciso” fracassasse, o dinheiro queimado seria dele. A família Saramago se livraria de um fardo que já planejava descartar e, de quebra, ele ficaria devendo um favor ainda maior a eles. Talvez isso até servisse para investigarem melhor sua origem e suas reais capacidades.

Matar dois coelhos com uma cajadada só.

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