— Mas eu garanto que não há nenhum grande problema!
O Sr. Sousa se explicava de forma truncada, com o coração aos pulos.
Aquele novo chefe tinha cara de bobo, mas o jeito como olhou os livros e a pergunta casual, porém cheia de veneno, diziam outra coisa.
Pelo visto, ele não seria tão fácil de enrolar.
Jocelino, porém, não estava com a menor vontade de perder tempo ouvindo desculpas.
Já tinha visto a contabilidade e entendido a situação básica. Sabia exatamente com que tipo de gente estava lidando no cassino, do Sr. Sousa para baixo.
Agora era hora de passar a vassoura.
Ignorando completamente as justificativas do Sr. Sousa, ele simplesmente se levantou e saiu da sala da gerência. O Sr. Sousa ficou parado, sem saber se o seguia ou se continuava onde estava.
Jocelino caminhou direto para o centro do salão do cassino, que naquela hora estava meio vazio.
A luz da tarde atravessava as janelas de vidro um pouco empoeiradas e projetava sombras irregulares sobre o tapete.
Alguns garçons e funcionários que, até então, estavam largados ou cochichando em voz baixa, endireitaram a postura por instinto ao vê-lo. Principalmente quando perceberam aquela aura gelada que emanava dele, em completo contraste com sua aparência quase ingênua. Todos desviaram o olhar.
Os olhos de Jocelino percorreram o salão com calma, passando por cada pessoa que o observava, abertamente ou de soslaio. Seu olhar era afiado como lâmina, como se atravessasse a pele e enxergasse toda a mediocridade e as intenções escondidas ali dentro.
Quem era encarado por ele abaixava a cabeça ou virava o rosto involuntariamente, sem coragem de sustentar o olhar.
Um homem que parecia ser gerente de nível intermediário abriu um sorriso largo e tentou se aproximar para puxar assunto.
— Sr. Porto, o Sr. Sousa já terminou de lhe mostrar o lugar?
— O senhor tem alguma orientação para nós agora que já viu tudo? Eu sou o Sr. Lopes, da recepção, e de hoje em diante...
— Não estou com paciência para formalidades agora.
— Vá chamar todos os encarregados e mande-os para o escritório.
— Estão todos aqui?
— Ótimo. Então vamos começar.
— Meu sobrenome é Porto, e, a partir de hoje, eu sou o dono deste lugar.
Jocelino começou com uma apresentação curta e foi direto ao ponto.
— A Sra. Saramago me entregou este lugar porque confia em mim. Mas eu não tolero enganação e detesto ser tratado como idiota.
Ele pegou o livro contábil que estava sobre a mesa, folheou algumas páginas de forma casual e depois o fechou com um estalo seco, jogando-o de volta sobre a mesa.
— Já analisei as contas.
— E já entendi muito bem qual é a situação real daqui.
O tom de Jocelino era monótono, mas fez o coração de todos ali disparar.

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