No entanto, Narciso sempre encontrava uma forma elegante de escapar.
As desculpas dele eram impecáveis e praticamente impossíveis de contestar.
— Puxa, Sra. Saramago, que pena. Minha esposa acordou um pouco melhor hoje, e eu queria acompanhá-la ao Mercado Central. Ouvi dizer que os petiscos de lá são excelentes.
Ou então:
— Sinto muito, Sra. Saramago, mas meu sogro disse que quer provar um café da manhã colonial bem tradicional, e eu preciso acompanhá-lo.
Ou ainda:
— É muito gentil da sua parte, Sra. Saramago, mas prometi acompanhar minha família ao Santuário das Águas Sagradas para pagar uma promessa e fazer orações. Realmente não tenho como escapar.
A esposa e a família, que ele mencionava o tempo todo, tornaram-se o escudo perfeito.
A ironia era que, naquele momento, Aeliana Oliveira estava totalmente focada em se infiltrar perto de Ofélia, recebendo terapias naturais para restaurar a energia do corpo enquanto investigava em segredo, sem qualquer tempo para desempenhar o papel de esposa apaixonada.
Sem outra saída, Jocelino acabava levando Wallace Rodrigues para passear. Os dois homens passaram a ser vistos com frequência em pontos turísticos ou restaurantes da Vila das Nuvens Cinzentas, sendo “casualmente” flagrados pelos informantes de Fabíola.
Fabíola olhava para as fotos trazidas por seus subordinados, nas quais Jocelino e Wallace apareciam quase como pai e filho: tomando um café especial numa confeitaria chique, passeando juntos por uma feira noturna, caminhando à beira-mar.
A inveja e o espírito de competição dentro dela quase explodiram.
O que aquela mulher tão frágil e desequilibrada tinha de tão especial?
Como ele podia rejeitá-la repetidamente, preferindo passear com um homem mais velho em vez de sair com uma mulher linda como ela?
A sensação de querer algo e não conseguir, somada à confiança que o apoio do pai lhe dera e à admiração crescente pela capacidade de Jocelino, elevou o desejo de conquista e a possessividade de Fabíola a um novo nível.
Ela simplesmente não conseguia aceitar que, sendo quem era, pudesse perder para uma mulher doente e um sogro idoso.
— Que coincidência. Eu estava passando por aqui e pensei em subir para tomar um café, e acabei encontrando você.
— É mesmo?
Jocelino olhou para Fabíola, erguendo ligeiramente a sobrancelha, com um interesse comedido.
Ele assentiu educadamente.
— Realmente, é coincidência. Acabei de voltar do cassino e já encontrei a senhora no saguão.
— Talvez seja o destino querendo nos aproximar, não acha?
Os lábios vermelhos de Fabíola se curvaram levemente, e seus olhos faiscaram, lançando-lhe um olhar profundo e magnético.
Ela deu mais meio passo nos saltos altos, reduzindo a distância entre os dois a um nível sutilmente íntimo.

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