Enquanto mexia na comida, Fabíola lançava olhares cautelosos para o pai.
Afinal, ela ainda carregava nas costas o peso de um casamento arranjado nos planos da família. Será que ele ficaria irritado ao ouvir aquilo?
Para sua surpresa, o pai não demonstrou nenhuma reação negativa. Sua expressão permaneceu serena, como se nada tivesse acontecido.
Fabíola sentiu um leve alívio no peito.
Edivaldo, por sua vez, achou a reação da irmã ainda mais engraçada. Comparado a Ricardo, ele preferia muito mais o jeito transparente, embora um tanto simplório, de Narciso.
Aproveitando a oportunidade, continuou falando com o pai:
— Pai, o senhor não deve subestimar esse Sr. Porto. Ele não é um qualquer.
O pai de Fabíola pousou os talheres e ergueu levemente uma sobrancelha.
— Ah, é?
— Quando a Fabíola o trouxe para que eu o conhecesse, mandei meus homens investigarem.
— Esse Sr. Porto se chama Narciso e, na verdade, é um filho ilegítimo da famosa família Rodrigues, a mais rica de Rio Dourado.
— Embora seja bastardo, a mãe dele foi o primeiro amor do magnata Leonardo. Esse Leonardo idolatrava o filho caçula e, com medo de que a família Rodrigues o prejudicasse após sua morte, criou um fundo fiduciário exclusivo no nome dele.
— Pelas informações que obtive, a quantia não é pequena.
— Além disso, ele mantém há anos negócios próprios no país A, e parece administrá-los muito bem. Então, base financeira ele tem.
— A família Rodrigues de Rio Dourado? — O pai de Fabíola franziu a testa, nitidamente surpreso.
Ele, naturalmente, conhecia a reputação da família Rodrigues; tratava-se de um verdadeiro conglomerado internacional.
— Filho ilegítimo, é...
O pai de Fabíola mergulhou em pensamentos, com o olhar mais profundo.
— Sim, pai. Eu entendi.
Ela respondeu de imediato, com o coração cheio de doçura.
O pai dela continuou:
— Outro dia, encontre uma ocasião adequada e o convide para um jantar informal aqui em casa. Quero conhecer esse jovem melhor. Edivaldo, você também deve estar presente.
— Sim, pai.
Edivaldo continuou comendo em silêncio, sem dizer mais nada. Sabia que a estratégia da irmã havia recebido a bênção do pai.
O próximo passo seria ver se esse Narciso aceitaria a aproximação e... quantas capacidades e segredos ainda escondia.
A aprovação tácita e o leve incentivo do pai de Fabíola funcionaram como um forte impulso, fazendo com que os sentimentos que já surgiam nela crescessem ainda mais.
Durante vários dias seguidos, ela arranjou todo tipo de desculpa para convidar Narciso a sair: por telefone, por mensagem ou até por encontros “casuais” no hotel. Chamou-o para festas privadas, para ver a vista noturna, para provar pratos refinados. Suas investidas se tornavam cada vez mais claras e, às vezes, até sua forma de falar e se comportar deixava escapar uma intimidade quase insinuante, como se estivesse pronta para se entregar a ele.

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